Polónia

Quando as sondagens dão 50-50, pesa o extremismo

Quando as sondagens dão 50-50, pesa o extremismo

A segunda volta das presidenciais polacas - que pareciam certas para o presidente conservador Andrzej Duda - está suspensa no voto da extrema-direita. Sondagens dão empate com liberal Rafal Trzaswkowski

As contas são fáceis de fazer: as sondagens dão empate técnico e a soma dos resultados da primeira volta das presidenciais polacas também. Sobre uma dúvida: em quem votarão os 1,3 milhões de polacos que optaram pelo extremismo de direita de Krzysztof Bosak. É a pergunta para um milhão de euros que só será respondida ao fim do dia de domingo.

Na contenda estão o inicialmente favoritíssimo presidente Andrezj Duda, apoiado pelo partido ultraconservador Lei e Justiça (PiS) que governa a Polónia - e tem provocado bastas irritações em Bruxelas, com reformas como a da Justiça, considerada como um risco para o Estado de Direito - e o inesperado presidente da Câmara de Varsóvia, o liberal Rafal Trzaskowski, à frente da Coligação Cívica (KO, centro-direita e cujo partido principal é a Plataforma Cívica de Donald Tusk, atual presidente do Partido Popular Europeu).

Inesperado porque Trzaskowski entrou na corrida em maio, depois de a candidata da formação, Malgorzata Kidawa-Blonska, se retirar face a uma cota de popularidade a rasar os 5%. Porque apelara ao boicote da eleição que o PiS tentou realizar em plena pandemia, por correspondência, para evitar que fossem ensombradas pela consequente crise económica.

Em 28 de junho, a Polónia surpreendeu, outorgando 30,5% ao autarca, apenas 13 pontos abaixo de Duda (43,5%). Em terceira posição ficava a vedeta de televisão Szymon Holownia, independente zangado com os partidos tradicionais. Ora, este já disse que apoia agora Trzaskowski e isso vale 13,9% dos votos.

Sobra Bozak e a sua Konfederacja (Confederação). Que reserva a declaração de voto. Os 6,8% de eleitores que lhe apoiaram o discurso tanto se seduzem com esse extremismo "politicamente incorreto" - diz ele de si próprio, defensor dos valores tradicionais do cristianismo e assumidamente anti-europeu, anti-imigração e homofóbico (tanto que lhe colocaram uma bandeira LGBT no enquadramento da janela), como o próprio PiS - como com o liberalismo económico da KO de Trzaskowski (porque, para muitos seguidores de Bozak, o PiS é populista porque demasiado dado às políticas sociais).

Duda percebeu. E aprofundou o discurso: prometeu fazer da proibição da adoção homossexual uma determinação constitucional para proteger as crianças e travar as campanhas contra a discriminação nas escolas. Autor de medidas contra a discriminação homossexual, Trzaskowski também percebeu, para desgosto dos eleitores mais à esquerda. Namorou o nacionalismo e disse que não podia concordar com a adoção homossexual.

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A luta entre duas Polónias: a cosmopolita e a provincial

Têm ambos 48 anos, um percurso escolar nas escolas mais prestigiadas das maiores cidades, doutoramentos nas universidades mais importantes do país. Mas Andrezj Duda (filho de um docente universitário de Cracóvia) e Rafal Trzaskowski (filho de um músico de jazz de Varsóvia e especialista em relações internacionais) não podiam ser mais diferentes: um representa a Polónia provincial e conservadora, o outro a Polónia cosmopolita pró-europeia. Como resume para o "The Guardian" o comentador do semanário "Polityka" Adam Szostkiewicz, "simplificando, Duda e Trzaskowski são as faces das duas Polónias".

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