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Quase 50 anos depois, o mistério de Jimmy Hoffa tem nova pista

Quase 50 anos depois, o mistério de Jimmy Hoffa tem nova pista

Quase cinco décadas depois do desaparecimento de Jimmy Hoffa, poderoso sindicalista norte-americano com ligações dúbias à máfia, uma pista recente pode ser a chave de um enigma por resolver que vai enchendo salas de cinema.

Voltemos atrás no tempo, ao dia 30 de julho de 1975. Jimmy Hoffa - cara arredondada, olhos azuis, cabelo a fazer lembrar o de Kim Jong-un, que ainda estava longe de nascer - desaparecia de forma enigmática. Para trás, o chefe da Irmandade Internacional dos Camionistas (em inglês, "International Brotherhood of Teamsters") deixava um passado de reconhecimento como um dos organizadores sindicais mais poderosos dos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, uma mancha causada pelas frequentes acusações de associação à máfia norte-americana e ao crime organizado, que lhe valeram uma condenação a pena de prisão nos anos 60. Para a frente, a História viria a criar um mistério que, quase 50 anos depois, continua por desvendar.

Mas, recentemente, uma confissão às portas da morte veio renovar a esperança de resolver o mistério. De acordo com o "The New York Times", um ex-trabalhador de um aterro sanitário de Jersey City, no Estado de Nova Jérsia, partilhou com um amigo, antes de morrer, em março de 2020, que, anos antes, o pai lhe havia confessado ter recebido ordens para enterrar o corpo de Hoffa num tambor de aço. A pista de Frank Cappola levou agentes do FBI, com mandados de busca de detenção, a um antigo aterro nos últimos dias 25 e 26 de outubro. Conclusões ainda não há: um porta-voz da Polícia federal dos Estados Unidos informou apenas que os dados recolhidos estavam a ser analisados e que seriam revelados a seu tempo.

O desaparecimento do grande sindicalista do parque de estacionamento de um restaurante em Bloomfield Township, no Estado do Michigan, e as relações turbulentas que mantinha com a máfia deram origem a um rol de teorias rocambolescas - há muito que uma lenda urbana aponta o antigo estádio de futebol do New York Giants como local onde os restos mortais de Hoffa estão enterrados - e inspirou obras cinematográficas ficcionais de sucesso (como "O Irlandês", de Martin Scorsese, nomeado para os Óscares de 2020).

Ao longo dos anos, foram-se acumulando buscas fracassadas pelo corpo de Hoffa, sobretudo no Michigan, onde o todo-poderoso do sindicalismo norte-americano foi visto pela última vez. Em 2003, alertadas por uma denúncia, as autoridades escavaram sob a piscina de um quintal em busca de restos mortais de Hoffa ou outras provas, em concreto uma pasta que conteria uma seringa e material farmacêutico supostamente usado no homicídio. Um ano depois, em 2004, o FBI voltava à ação, desta vez a uma casa nos subúrbios de Detroit, onde o proprietário, Frank Sheeran, disse ter matado Hoffa em consequência de uma contenda que acabou mal. Mas os vestígios de sangue encontrados pelas equipas forenses não suportaram a versão do suposto homicida e, mais uma vez, a procura caiu em saco roto. O mesmo veria a suceder-se nos anos seguintes, uma e outra vez.

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