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Quase dois em cada cinco investigadores da covid-19 sofreram de assédio durante a pandemia

Quase dois em cada cinco investigadores da covid-19 sofreram de assédio durante a pandemia

Insultos, acusações de desonestidade e corrupção ou até ameaças de morte são alguns dos ataques que os cientistas dedicados à covid-19 relataram sofrer nos últimos dois anos.

Um inquérito da revista Science, que contou com a participação de 510 investigadores com artigos publicados sobre a covid-19, apurou que 38% dos inquiridos já sofreu algum tipo de ataque, desde insultos a ameaças de morte.

Os participantes do inquérito referiram que os insultos pessoais e os ataques às suas capacidades profissionais são os tipos mais comuns de assédio de que são alvo. Ameaças contra a integridade física e "doxing" (a divulgação online de informações privadas de alguém) foram referidos mais raramente.

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Houve ainda 18 investigadores a dizerem ter sido vítimas de ameaças de morte.

O assédio a profissionais da ciência já não era novidade, mas o certo é que a pandemia espoletou comportamentos mais agressivos neste campo. No inquérito, mais de metade dos investigadores da covid-19 que relataram ter sido vítimas de assédio nos últimos dois anos disseram que esta era uma nova experiência para eles e outros 31% referiram que a pandemia tinha aumentado o problema.

Uma das razões para este aumento é a maior exposição dos investigadores. Durante a pandemia, os cientistas envolvidos com a covid-19 viram crescer a sua audiência ou entraram pela primeira vez na esfera pública.

O assédio aos investigadores foi mais notório nos profissionais que publicamente defenderam posições "debatíveis". Argumentos contra o uso da ivermectina - um fármaco que trata infeções por parasitas - para curar a covid-19, bem como a defesa de que é provável que o vírus tenha origem natural e não em laboratório, estão relacionados com maiores casos de assédio.

Um estudo levado a cabo pela Nature, em outubro, que contou com a participação de cientistas que tinham dado entrevistas acerca da covid-19, tinha já demonstrado que 81% dos participantes tinham sofrido ataques pessoais, mesmo que raramente, após falarem com os meios de comunicação sobre o vírus. O mesmo estudo reportou que 70% dos inquiridos sofreu pelo menos um tipo de impacto negativo depois de falar publicamente ou postar conteúdo nas redes sociais sobre a covid-19.

Os inquéritos levados a cabo pela Science e pela Nature concluem que os "cientistas que fazem muito trabalho mediático sobre as grandes histórias da atualidade que atingem as notícias vão quase inevitavelmente sofrer algum nível de assédio", como afirma Fiona Fox, a chefe executiva do Centro de Comunicação da Ciência, em Londres.

No questionário da revista Science foram ainda expostos os efeitos do assédio de que os investigadores são vítimas. Problemas no trabalho e complicações do foro psicológico são alguns exemplos.

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