China

Queda de avião confunde investigadores mas já há teorias que explicam o desastre

Queda de avião confunde investigadores mas já há teorias que explicam o desastre

Especialistas chineses estão a tentar apurar o que realmente motivou o acidente de segunda-feira. O aparelho caiu de repente e há pelo menos duas hipóteses para o sucedido.

"É muito pouco convencional um avião estar a seguir normalmente a rota e de repente mergulhar assim", disse Sonya Brown, especialista em aviação da Universidade de New South Wales, citada pela BBC.

O Boeing 737-800 da companhia China Eastern Airlines, com 132 pessoas a bordo, caiu na última segunda-feira perto da cidade de Wuzhou, na região autónoma de Guangxi. O voo partiu da cidade de Kunming, na província de Yunnan, sudoeste da China, com destino final em Cantão, sul do país.

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Foi já encontrada uma das duas caixas-negras, que contêm os dados de voo e os gravadores de voz da cabina, do avião que caiu. A bordo seguiam 123 passageiros e nove tripulantes, não tendo sido encontrados quaisquer sobreviventes, no desastre aéreo mais mortal da China em décadas.

A caixa-negra está, no entanto, gravemente danificada. As autoridades não conseguem identificar se é o gravador de dados de voo ou de voz da cabina. A recuperação destes aparelhos é considerada chave para descobrir o que causou o acidente. As autoridades usaram veículos aéreos não tripulados ('drones'), ferramentas manuais e cães farejadores nas encostas densamente florestadas, em busca dos gravadores de voz da cabina e dados do voo.

O avião entrou numa queda quase na vertical, uma hora após a partida. Um controlador de tráfego aéreo tentou entrar em contacto com os pilotos várias vezes, depois de ver a altitude do avião cair drasticamente, mas não obteve resposta, disse Zhu Tao, diretor do Escritório de Segurança da Aviação da Autoridade de Aviação Civil da China.

Sabe-se que o Boeing 737-800 voa desde 1998 e tem um bom histórico de segurança. É um modelo anterior ao 737 Max, que ficou parado em todo o mundo por quase dois anos após acidentes mortais, em 2018 e 2019.

A China, um dos três principais mercados de aviação civil do mundo, não registava um acidente aéreo com mais de cinco mortes desde 2010, até à queda do Boeing 737-800.

As autoridades dizem que não encontraram falhas no avião ou dificuldades com as condições de voo. A Administração de Aviação Civil da China (CAAC) disse que o avião, que tinha menos de sete anos, passou em todas as verificações antes de partir. Os controladores aéreos estiveram em contacto com o avião até o momento em que caiu, após o qual não receberam resposta a várias chamadas. O site "FlightRadar24" mostrou o avião a navegar a uma altitude típica de 29.100 pés (cerca de 9.000 m). Dois minutos e 15 segundos depois, mergulhou para 9.075 pés (2.700 m). Os dados do radar mostram o avião a atingir velocidades máximas de descida de 31 mil pés por minuto - ou 157m por segundo. "Isso é extremamente excessivo e não é algo que normalmente veríamos em qualquer tipo de voo. A queda do avião teria sido quase vertical", assinalou Sonya Brown.

De acordo com os dados disponíveis, a cerca de 7000-8000 pés do solo, houve uma ligeira reviravolta. O investigador disse ser "difícil" determinar a causa do acidente, defendendo duas teorias, sem ter a certeza da versão "verdadeira". Uma é ter havido uma avaria na asa horizontal do avião, ou seja, a parte traseira que estabiliza o aparelho e o mantém alinhado com a direção em que se movimenta, o que pode fazer com que a aeronave caia. "Isso pode ser algo causado mecanicamente", frisou.

A outra opção, que tem ganhado consistência é a de ter havido sabotagem. "Infelizmente já vimos isso antes", disse Brown. Certo é algo deve ter forçado a aeronave a descer. Havia três pilotos no avião, um dos quais em processo de aprendizagem. O comandante tinha 6.709 horas de experiência de voo, enquanto o primeiro e o segundo oficiais tinham 31.769 horas e 556 horas, respetivamente. "O desempenho dos três pilotos foi bom e a vida familiar deles era relativamente tranquila", disse o porta-voz da companhia aérea Shangguan Xuemin. As autoridades enviaram o gravador do cockpit já encontrado para um laboratório em Pequim, onde se espera que os dados possam ser decodificados. Se o avião foi derrubado deliberadamente, esses dados serão úteis, dado que possuem todos os sons da cabine, o que estavam a dizer, se alguém invadiu o local ou se algum alarme disparou. A outra caixa preta - o gravador de dados de voo - ainda não foi recuperada. Essa teria mais informações sobre configurações de controlo, dados aéreos e outros fatores que podem ajudar a esclarecer eventuais problemas mecânicos.

Investigadores chineses convidaram entretanto especialistas em aviação dos Estados Unidos da América para participar da investigação, já que o avião da Boeing foi fabricado nos EUA. Enquanto isso, mais de 600 trabalhadores e voluntários continuam a fazer buscas na encosta junto a Wuzhou, tendo de enfrentar um clima húmido e o terreno inundado, numa difícil missão de recuperação.

As autoridades chinesas ainda não declararam oficialmente o número de mortos. Enquanto isso, a China está a realizar uma auditoria a todos os aviões, processo que deverá durar duas semanas. A China Eastern e duas subsidiárias suspenderam a frota de Boeing 737-800 como precaução de emergência.

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