Tensão

Quem são os veteranos de guerra norte-americanos que tentaram "invadir" a Venezuela

Quem são os veteranos de guerra norte-americanos que tentaram "invadir" a Venezuela

Em tempo de covid-19, a política internacional continua com a tensão ao rubro. Depois da mudança de cadeiras no Brasil, com a saída do ministro da Justiça, Sergio Moro, foi a vez da Venezuela e dos Estados Unidos voltarem aos holofotes mediáticos. Esta segunda-feira, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou que tinham sido detidos dois cidadãos norte-americanos, "seguranças de Trump", numa tentativa de "invasão marítima" do país.

Foi numa declaração na televisão estatal que Nicolás Maduro identificou Airan Berry, de 41 anos, e Luke Alezander Denman, de 34 anos, entre os 15 detidos de um alegado ataque por via marítima à Venezuela, e do qual resultaram oito mortos. O incidente, que o governo venezuelano classificou de "invasão marítima", aconteceu no passado fim de semana e terão sido feitas duas tentativas de entrada no país. Da primeira vez, resultaram oito vítimas mortais e dois detidos no estado de La Guaira, perto da capital, Caracas. Da segunda vez, 13 pessoas foram detidas esta segunda-feira, no estado de Aragua. Entre as detenções estão altas patentes militares e de segurança da Venezuela como o capitão Antonio Sequeda e Josnar Adolfo Baduel, filho de um general, próximo do antigo presidente Hugo Chavéz, que faleceu em 2013.

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No entanto, Maduro dirigiu a sua atenção para outros detidos. O presidente da Venezuela identificou dois homens, que segundo ele, fazem parte da equipa de segurança do presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump. Os documentos de identificação de ambos (passaportes e cartas de condução, além de um cartão profissional) foram colocados à vista de todos. Airan Berry e Luke Alexander Denman são, segundo Maduro, "mercenários profissionais":"Eles estavam a tentar ser o Rambo. Estavam a tentar ser heróis". Os dois norte-americanos estão detidos e o canal de televisão "CNBC" avança que podem estar sob custódia da Direção-Geral da Inteligência Militar das Forças Armadas da Venezuela.

De acordo com o jornal "New York Times", Airan Berry e Luke Alexander Denman são antigos militares das Forças Especiais do Exército dos Estados Unidos, também conhecidos por "Boinas Verdes". O presente dos dois faz-se agora na empresa de segurança Silvercorp, onde são funcionários e cujo diretor é Jordan Goudreau, outro veterano de guerra dos Estados Unidos, que já confirmou à agência "Reuters" que liderou a "invasão marítima" deste fim de semana na Venezuela. "Eles estavam a trabalhar para mim. Aqueles são os meus homens", afirmou o antigo militar, que tinha como objetivo "libertar" a Venezuela. De acordo com Goudreau, Berry e Denman foram camaradas dele no Iraque e no Afeganistão ao serviço do exército norte-americano.

De acordo com a página pessoal de Jordan Goudreau na rede social Linkedin, o antigo militar esteve três anos, de 1994 a 1997, nas Forças Armadas do Canadá. Mais tarde, esteve 15 anos no Exército dos Estados Unidos e em fevereiro de 2018 tornou-se diretor da Silvercorp. Entre 1999 e 2001, trabalhou ainda como analista do sistema de informação numa empresa no estado de Maryland (EUA), tendo ainda um bacharelato em Ciência de Computadores pela Universidade de Calgary, Canadá.

Fontes oficiais do Estados Unidos garantiram à "CNBC" que não há qualquer envolvimento dos Estados Unidos nesta operação liderada por Goudreau. Porém, o Departamento de Estado dos EUA não emitiu até ao momento qualquer comentário sobre o assunto. Acusado de estar também por detrás desta tentativa de golpe de Estado, Juan Guaidó, autoproclamado presidente da Venezuela, negou a participação, mas já veio pedir "respeito pelos direitos humanos", referindo-se aos detidos.

As imagens dos detidos, especialmente de Luke Alexander Denman e Airan Berry, já circulam nas redes sociais. O governador do estado de Aragua, Rodolfo Torres, fez questão de mostrar imagens de alguns detidos no chão e enalteceu a coragem dos pescadores da vila de Chuao na captura dos "invasores". Já esta segunda-feira, o presidente venezuelano apontava responsabilidades da alegada invasão aos Estados Unidos e à Colômbia. "O objetivo era assassinar-me, o objetivo principal era matar o Presidente da Venezuela. Era um ataque terrorista no meio de uma pandemia, enquanto o povo estava em paz. Um ataque terrorista contra a tranquilidade e a paz da Venezuela", disse Nicolás Maduro.

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