Rio de Janeiro

"Querides alunes": linguagem "neutra" defendida por colégio brasileiro gera controvérsia

"Querides alunes": linguagem "neutra" defendida por colégio brasileiro gera controvérsia

Linguagem sem distinção de género, sugerida pelo colégio, não gerou consenso. Para uns, viola o direito de aprendizagem, para outros é uma boa forma de promover o respeito pela diversidade e pela valorização das diferenças em ambiente escolar.

Nem os professores nem os alunos são obrigados a utilizá-la, mas têm, pelo menos, essa possibilidade. O Colégio Franco-Brasileiro, situado na zona sul do Rio de Janeiro, decidiu adotar uma linguagem neutra, sem distinção de género, nos "espaços formais e informais de aprendizagem da escola".

Numa nota difundida pela comunidade escolar, o colégio explica que a iniciativa visa combater "o machismo e o sexismo no discurso", de forma a incluir pessoas "não identificadas com o sistema binário de género".

Na prática, sugere, por exemplo, a substituição da expressão "queridos alunos" por "querides alunes", defendendo que, desta forma, se incluem "múltiplas identidades".

O comunicado, que se destinava apenas a alunos e professores, acabou por não gerar consenso fora da comunidade escolar. Segundo avança a imprensa brasileira, dois deputados estaduais, um do Rio de Janeiro e outro de São Paulo, repudiaram a iniciativa, defendendo que o colégio está a promover o desrespeito das normas da língua portuguesa.

"Não se pode permitir que crianças e jovens sejam doutrinados fora dos padrões da língua culta. É de fácil constatação que a inserção da 'linguagem neutra' em grade curricular possui viés doutrinário ideológico, porquanto viola o direito dos estudantes ao aprendizado em linguagem culta da língua portuguesa", escreveu o deputado Rodrigo Amorim.

Ainda assim, a decisão foi amplamente aplaudida pelos pais dos alunos, segundo os quais a escola deve continuar a promover o diálogo sobre a diversidade e inclusão.

"Afinal de contas, o papel da escola é formar cidadãos e, portanto, eles precisam estar dentro de um debate que concerne a todos, que são as discussões sobre as questões das minorias", defendeu Marta Metzler, de 48 anos, mãe de um dos alunos do Colégio Franco-Brasileiro.

Outras Notícias