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Raparigas camaronesas com os seios "engomados"

Raparigas camaronesas com os seios "engomados"

Uma em cada quatro raparigas dos Camarões tem os seios "engomados". A prática é baseada na crença de que, assim, se disfarça a puberdade das adolescentes e se evitam as violações e as gravidezes não desejadas.

As técnicas para "engomar" os seios das raparigas são as mais variadas e dolorosas possíveis. Usam-se, sempre a escaldar, pedras quentes ou paus de malhar cereais. Os seios são apertados todos os dias com muita força assim que se começam a desenvolver até que se obtenha o resultado desejado. Quem, por norma, fica encarregue da tarefa de fazer desaparecer os seios das meninas são as mães ou outras mulheres da família.

Trata-se de uma tradição antiga em algumas zonas do Oeste de África, com maior incidência nos Camarões, que defende que as raparigas que não têm seios afastam os olhares libidinosos dos homens ou evitam gravidezes indesejadas. Mas os motivos vão mais além. Meninas de tenra idade são sujeitas a dores excruciantes porque se crê que assim podem crescer normalmente e prosseguir os estudos sem que tenham vergonha dos amigos ou colegas.

A agência oficial de cooperação alemã GTZ apelida a prática de "mutilação feminina" e afirma, num trabalho feito em 2007, que o risco de ter os seios "passados a ferro" é duas vezes maior em crianças cujos seios cresçam antes dos nove anos. A GTZ já tinha realizado um outro estudo em 2006, com um universo de 5700 mulheres dos 10 aos 82 anos, que revelou que 53% das meninas de Doula, a maior cidade do país, sofre esta mutilação.

Segundo o site do Projecto Tantines, que luta contra a prática deste tipo de tradições, as consequências dos seios "engomados" são terríveis para as meninas. No presente e no futuro próximo, as raparigas sofrem não só traumas psicológicos para toda a vida como marcas físicas e risco de desenvolver doenças, como o cancro da mama.

Veja o vídeo da campanha dasTantines.

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