Violência

Raptores executam três alunos sequestrados na Nigéria

Raptores executam três alunos sequestrados na Nigéria

Três dos cerca de 20 estudantes raptados em Kaduna, no norte da Nigéria, na noite de terça-feira, foram executados pelos seus captores, relataram as autoridades locais, que estão preocupadas com a escalada da violência destes raptos.

"Num ato diabólico e absolutamente cruel, os homens armados que raptaram estudantes da Universidade de Greenfield mataram três dos seus reféns", anunciou o comissário para os Assuntos Internos e Segurança Interna do estado de Kaduna, Samuel Aruwan.

As autoridades do estado de Kaduna, que sempre rejeitaram a negociação com raptores no que se assemelha ao mais recente sequestro em massa em troca de resgate na região, não divulgaram o número exato de estudantes sequestrados.

"Os corpos dos três estudantes foram encontrados hoje na aldeia de Kwanan Bature, não muito longe da universidade", explicou Samuel Aruwan, citado pela agência France-Presse (AFP).

Na terça-feira, por volta das 20.15 horas locais (mesma hora em Portugal continental), homens armados invadiram a universidade e raptaram cerca de 20 estudantes, segundo fontes da instituição, sob anonimato. Um funcionário foi baleado durante a invasão.

Os últimos meses têm sido marcados por um aumento de sequestros de números elevados de estudantes em escolas do norte da Nigéria, tendo mais de 700 estudantes sido raptados desde dezembro.

Os autores dos raptos, apelidados de forma comum como "bandidos", pilham aldeias, roubam gado e realizam sequestros em massa para obterem resgates.

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Durante esta semana, dezenas de aldeões foram mortos a tiro no estado de Zamfara.

Embora muitos dos estudantes sequestrados tenham sido libertados, pelo menos 29 estudantes de um total de 39 raptados em março no Igabi College of Forestry Mechanization, também no estado de Kaduna, continuam em paradeiro desconhecido.

Numa conferência de imprensa na semana passada, o presidente da associação de pais local criticou a inação das autoridades estatais de Kaduna, que proibiram qualquer negociação com os perpetradores.

"Não lhes daremos um cêntimo, não terão qualquer lucro do estado de Kaduna", referiu o governador do estado, Nasir El-Rufai, numa entrevista a uma televisão local no início de abril.

Também na semana passada, a organização não-governamental Amnistia Internacional (AI) denunciou o facto de dezenas de milhares crianças e jovens em idade escolar na Nigéria estarem sem acesso à educação, porque as autoridades nigerianas continuam sem proteger as escolas dos ataques de insurgentes e outros grupos armados, especialmente no norte do país.

"A frequência dos ataques demonstra como as escolas se tornaram inseguras na Nigéria, enquanto que a falta de responsabilização perante a justiça apenas serviu para encorajar os seus perpetradores", apontou a AI.

Num dos exemplos apontados pela ONG, em 11 de dezembro, centenas de homens armados invadiram sete dormitórios de estudantes numa escola secundária em Kankara, estado de Katsina, noroeste da Nigéria, e levaram cerca de 300 estudantes a pé para um local desconhecido, onde os mantiveram cativos durante seis noites, até que os libertaram em 17 de dezembro.

O ataque levou os governos dos estados de Kano, Kaduna, Zamfara, Jigawa e Katsina a ordenar o encerramento de escolas.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estima que 10,5 milhões de crianças entre os 5 e os 14 anos estejam fora da escola na Nigéria por razões associadas à falta de segurança.

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