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Rebeldes de Tigray rejeitam cessar-fogo e admitem intensificar ofensiva

Rebeldes de Tigray rejeitam cessar-fogo e admitem intensificar ofensiva

Os combatentes rebeldes da região etíope de Tigray rejeitaram, esta terça-feira, o cessar-fogo unilateral decretado pelas forças governamentais etíopes, prometendo expulsar estas para a capital, Addis Abeba, bem como os seus aliados militares eritreus.

"Nada nos deterá até libertarmos todos os metros quadrados" da região de Tigray, que tem cerca de seis milhões de residentes, disse o porta-voz dos combatentes, Getachew Reda, em entrevista à Associated Press (AP), quase oito meses depois do início dos conflitos naquela região entre as forças de Tigray e os militares etíopes, apoiados pela Eritreia.

A declaração é uma rejeição liminar e unilateral do cessar-fogo decretado na segunda-feira pelo Governo da Etiópia, que o porta-voz considerou ser uma "piada doentia".

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Reda acusou Addis Abeba de negar a passagem de ajuda humanitária às populações daquela região e de fingir "preocupar-se".

As Forças de Defesa do Tigray (TDF, na sigla em língua inglesa) afirmaram esta terça-feira ter "controlo total" da capital estadual, Mekele, depois da retirada do exército federal e do anúncio pelo governo etíope na segunda-feira de um cessar-fogo unilateral.

O poder restabelecido instou ainda a população a "estar em alerta constante para proteger toda a cidade e o seu povo contra qualquer força que possa tentar cometer crimes imperdoáveis contra vidas humanas e contra a propriedade".

Segundo fontes da administração provisória de Tigray, nomeada por Addis Abeba quando tomou posse do estado no norte do país, o exército federal etíope deixou Mekele na segunda-feira, quando as TDF assumiram o controlo da cidade.

Mekele tinha sido tomada pelo exército federal em novembro de 2020, na sequência da ofensiva lançada pelo primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, para derrubar as autoridades locais da TPLF no dia 04 desse mês.

A operação de imposição da "lei e da ordem" foi decidida por Adis Abeba depois de as forças estaduais de Tigray terem alegadamente atacado bases militares federais naquele território, de acordo com a explicação então avançada por Abiy Ahmed, Prémio Nobel da Paz de 2019, em reconhecimento pelo seu papel na reconciliação com a Eritreia e pela abertura reformista que tinha imprimido no país desde a sua chegada ao poder, no início de abril de 2018.

A reentrada esta segunda-feira das TDF em Mekele, depois do exército federal e a administração transitória imposta por Adis Abeba terem fugido no início do dia, representa um ponto de viragem no conflito, que dura há quase oito meses.

As TDF vinham a tomar várias pequenas cidades desde o início de uma contraofensiva lançada há uma semana, precisamente no dia das eleições gerais etíopes, que não se realizaram naquele estado, assim como em cerca de um terço das circunscrições do país, admitindo-se que o plebiscito venha a ser concluído em setembro.

Os oito meses de conflito no Tigray foram marcados por numerosas violações dos direitos humanos de civis (massacres, violações, deslocações forçadas de populações) que suscitaram a indignação da comunidade internacional.

Desde o início do conflito, milhares de pessoas morreram e quase dois milhões foram deslocadas internamente, enquanto pelo menos 75 mil fugiram para o vizinho Sudão, de acordo com números oficiais.

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