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Rebeldes líbios transferem comité executivo para Tripoli

Rebeldes líbios transferem comité executivo para Tripoli

Os rebeldes líbios transferiram o comité executivo do Conselho Nacional de Transição de Benghazi para Tripoli, onde entraram no domingo, anunciou, quinta-feira, o vice-presidente daquele órgão.

"Declaro o início e a retoma do trabalho do comité executivo [do CNT] em Tripoli", afirmou, numa conferência de imprensa, o vice-presidente, Ali Tahouni, acrescentando, citado pela agência AFP, que o chefe do órgão político dos rebeldes, Mustapha Abdeljalil, chegará a Tripoli quando a situação em termos de segurança o permitir.

O Conselho Nacional de Transição estava sediado desde meados de Março em Benghazi, após a revolta em Fevereiro contra o regime de Muammar Kadafi.

Entrentanto, o Conselho de Segurança da ONU aprovou, quinta-feira, o desbloqueamento de 1,5 mil milhões de dólares (cerca de mil milhões de euros) de fundos líbios para financiar uma ajuda de emergência à reconstrução da Líbia, informaram diplomatas, citados pela agência AFP.

A decisão surge depois de um acordo entre os Estados Unidos e a África do Sul, que se opunha, desde há duas semanas, a esta medida.

Pretória bloqueava o levantamento dos fundos líbios congelados ao regime de Muammar Kadafi pelos Estados Unidos, argumentando que entregar a verba aos rebeldes poderia significar o reconhecimento automático do Conselho Nacional de Transição (CNT).

Nem a África do Sul nem a União Africana reconheceram ainda o CNT, cujos elementos controlam a maior parte da capital líbia, Tripoli.

Os Estados Unidos propõem a distribuição dos activos financeiros líbios por organizações humanitárias internacionais, pelo Conselho Nacional de Transição, para pagar salários e serviços essenciais, e por um fundo internacional, para a Líbia adquirir combustíveis e outros bens de primeira necessidade.

Já o Fundo Monetário Internacional (FMI) disse que só irá reconhecer o novo governo da Líbia quando houver um reconhecimento "claro e alargado" por parte da comunidade internacional, noticiou a agência espanhola Efe.

"Assim que houver um reconhecimento internacional claro e alargado a respeito do novo governo líbio, estaremos em condições de o reconhecer também", afirmou o porta-voz do FMI, David Hawley, acrescentando que o organismo "está atento à evolução do conflito na Líbia".

As forças rebeldes líbias lançaram no domingo uma ofensiva contra Tripoli, que era um dos principais bastiões de Kadffi, e assumiram nos últimos dias o controlo de grande parte da capital líbia.

Até ao momento, desconhece-se o paradeiro do coronel que liderou o país nos últimos 42 anos.