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Rebeldes oferecem amnistia a quem capturar ou entregar Kadafi

Rebeldes oferecem amnistia a quem capturar ou entregar Kadafi

Os rebeldes líbios, que segundo a al-Jazeera controlam já 95% de Tripoli, anunciaram que amnistiam qualquer pessoa que entregue ou capture o coronel Muammar Kadafi. Da capital do país continuam a chegar relatos contraditórios quanto ao paradeiro de Kadafi, o último dos quais dá conta de que líder líbio abandonou a residência em Tripoli na Primavera, no início dos bombardeamentos pelas forças da NATO.

"O Conselho Nacional de Transição (CNT) anuncia que a qualquer pessoa que mate Kadafi ou que o capture, a sociedade dará uma amnistia ou perdão por qualquer crime que tenha cometido", explicou Mustafa Abdel Jalil, em conferência de Imprensa, presidente do CNT.

Os rebeldes líbios anunciaram, também, uma recompensa de cerca de 1,7 milhões de dólares (1,1 milhões de euros) para quem ajudar a capturar o líder líbio Muammar Kadafi, morto ou vivo.

O montante foi proposto por empresários líbios e o Conselho Nacional de Transição (CNT).

"O regime de Muammar Kadafi só estará acabado no momento em que ele for capturado, morto ou vivo", referiu o responsável, sublinhando que "o comportamento (do líder líbio) fez temer uma catástrofe", sem dar mais pormenores.

O anúncio foi feito numa altura em que se surgem cada vez mais relatos contraditórios quanto ao paradeiro do líder líbio, Muammar Kadafi. Segundo a agência russa Interfax, que cita fonte bem informada, Kadafi abandonou a residência em Tripoli na Primavera, no início dos bombardeamentos da Líbia pelas forças da NATO.

"Kadafi deixou de passar as noites em Tripoli depois do início dos bombardeamentos da Líbia na primavera deste ano", escreve a agência. Segundo a Interfax, "Kadafi ia aos encontros em Tripoli a partir das suas residências secretas que se encontram fora da capital líbia. Uma condição obrigatória da sua vinda era o 'escudo humano' no local dos encontros", acrescenta a fonte.

Muammar Kadafi exortou, em duas intervenções divulgadas esta quarta-feira de madrugada, os residentes de Trípoli a "limparem" os rebeldes da capital líbia através de uma mensagem sonora divulgada pelo canal de televisão al-Rai. O líder líbio disse estar preparado para resistir meses e transformar a Líbia em lava e fogo e que deixou Trípoli para se proteger dos ataques aéreos da NATO.

"Todos os líbios deverão estar presentes em Tripoli, jovens, homens das tribos e mulheres deverão varrer a cidade e combater os traidores", afirmou Kadafi, que disse, ainda, ter estado "por momentos em Trípoli, de forma discreta, sem ter sido visto por ninguém" e que não sentiu que a capital "estivesse em perigo".

De acordo com o relato de vários jornalistas, continuam os combates em Trípoli, agora de forma esporádica. Existem, ainda, bolsas de resistência das forças do regime de Muammar Kadafi na capital líbia, apesar de os rebeldes líbios controlarem a maior parte da cidade.

A correspondente do canal de televisão Al-Jazeera noticiou, esta quarta-feira de manhã, trocas de tiros esporádicas dentro do bairro de Bab-al-Aziziya, junto ao complexo residencial do coronel Muammar Kadhafi.

Na terça-feira à tarde, as forças rebeldes anunciaram o controlo do complexo residencial e do quartel-general do líder líbio, após três dias de confrontos.

Duas fortes explosões, provavelmente provocadas por bombardeamentos aéreos, foram sentidas na manhã de quarta-feira na capital líbia, segundo o testemunho de um jornalista da agência noticiosa francesa AFP. O repórter referiu, ainda, que um avião da NATO sobrevoou a cidade.

De acordo com as forças rebeldes, atiradores furtivos das forças de Kadafi continuam escondidos ao longo da estrada que dá acesso ao aeroporto, indicando ainda que pelo menos quatro combatentes rebeldes morreram durante a noite nesta zona.

A partir de Benghazi, a sede da rebelião líbia no leste do país, o comandante dos revoltosos está a pedir aos habitantes de Tripoli para permanecerem dentro de casa, de forma a permitir que os combatentes rebeldes possam revistar todas as estruturas relacionadas com o regime de Kadafi.

Os rebeldes estavam igualmente a patrulhar as ruas e a revistar todos os veículos que circulam na capital líbia.

Os combates em Tripoli fizeram, nos últimos três dias, mais de 400 mortos e dois mil feridos, avançou o presidente do CNT. Em declarações na terça-feira à noite à televisão France 24, Mustafa Abdeljalil frisou que a guerra só acabará com a detenção do líder líbio Muammar Kadafi, cujo paradeiro continua desconhecido.

"Espero que Kadafi seja capturado vivo, para que possa ser julgado e o mundo conheça os seus crimes", afirmou, admitindo que o coronel possa ter fugido de Tripoli.

O chefe do CNT adiantou que foram capturados 600 soldados pró-Kadafi nos mais recentes combates.