Espanha

Recebeu pedido de perdão da Igreja por SMS cinco anos após denunciar abusos de padre

Recebeu pedido de perdão da Igreja por SMS cinco anos após denunciar abusos de padre

Emiliano Álvarez está revoltado. Recebeu um pedido de perdão da Igreja enviado por WhatsApp, quase cinco anos depois de denunciar os abusos de que foi vítima por um padre, num seminário, quando tinha apenas dez anos. Sacerdote recebeu castigo ligeiro.

A frequência no Seminário Menor de La Bañeza, na província de Leão, em Espanha, traçou o percurso tortuoso da vida de Emiliano Álvarez. Aos dez anos, foi vítima de abusos sexuais por parte do padre Ángel Sánchez Cao. Passou depois pela dependência de drogas e pela prostituição, erros que atribui aos traumas que sofreu com os abusos no seminário. Ganhou coragem para denunciar o seu caso em 2017. Agora, passados quase cinco anos, recebeu um pedido de desculpas da Igreja através de uma mensagem enviada pela aplicação WhatsApp e um telefonema do responsável pelo atendimento às vítimas da diocese.

"Bom dia. Contacto-o para o informar do resultado da investigação da queixa apresentada por si, a fim de o comunicar pessoalmente. O padre Sánchez Cao foi condenado à proibição de qualquer contacto com menores até aos 80 anos e de não poder ouvir uma confissão, salvo nos casos previstos no c. 976 [Código de Direito Canónico]. A diocese reitera o seu pedido de perdão e reitera seu compromisso de continuar a trabalhar por uma Igreja mais segura. À sua disposição. Atte ", é o conteúdo da mensagem, revelada pelo jornal espanhol "El País".

Emiliano Álvarez considera o pedido de desculpas insuficiente e o castigo aplicado ao padre abusador diz que é insuficiente, ao recordar o que passou entre 1976 e 1978, quando Ángel Sánchez Cao e outros sacerdotes desciam à noite aos quartos das crianças e cometiam os abusos. Lembra-se bem de acordar e ver um homem de óculos dourados a tirar-lhe o pijama e apontar-lhe uma lanterna. Uma experiência aterradora que se prolongou durante dois anos.

"É uma piada de mau gosto que me comuniquem assim uma coisa tão grave e nociva para mim, embora me tenham reconhecido como vítima da Igreja", refere, citado pelo jornal espanhol.

Outro colega, que também apresentou queixa, recebeu resposta idêntica da Igreja.

Emiliano Álvarez apela a outras vítimas que denunciem os abusos, apesar das dificuldades que possam vir a enfrentar. No seu caso, viu o padre Sánchez Cao acusá-lo por "difamação e calúnias" para o demover.

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O sacerdote só foi afastado em 2019, dois anos após a denúncia de Emiliano Álvarez, período durante o qual exerceu funções na paróquia de Barco de Valdeorras, em Ourense, incluindo contacto com menores.

"Ele tinha que estar fora do sacerdócio por tudo que fez", defende a vítima.

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