Coreia do Sul

Rede criminosa geria salas de sexo filmado sob coação no Telegram

Rede criminosa geria salas de sexo filmado sob coação no Telegram

A aplicação Telegram era utilizada para a exploração sexual de várias jovens. Mais de 10 mil pessoas acediam às salas online pagas para assistir a vídeos e fotografias de cariz sexual explícito. As raparigas eram chantageadas e obrigadas a cumprir os pedidos destes utilizadores.

A aplicação de mensagens Telegram foi utilizada na Coreia do Sul para divulgar conteúdos sexuais online obtidos de forma criminosa. Cho Joo-bin, de 25 anos, apelidado de "Guru", liderava uma rede online através da plataforma, onde coagia raparigas a realizar atos sexuais. Criou várias salas online encriptadas e, pelo menos, oito foram descobertas pelas autoridades. Nelas, os utilizadores pagavam para entrar e ver conteúdo pornográfico. Mais de 10 mil pessoas acederam a estas salas, chegando a pagar cerca de mil euros pelo acesso, através do uso de bitcoins. Pelo menos 74 jovens, das quais 16 menores, foram chantageadas a publicar imagens explícitas, revela a CNN.

As vítimas eram atraídas pela publicação de anúncios falsos online de trabalhos de modelo, nas quais pediam às jovens que preenchessem uma candidatura com as suas informações pessoais e enviassem algumas fotografias. Ao serem "contratadas", era pedido o envio de novas fotos, desta vez mais "reveladoras", para que, mais tarde, Cho as utilizasse como forma de chantagem. Ameaçava colocar as fotografias na internet juntamente com os dados pessoais, caso se recusassem a participar nas salas online no Telegram, revelou a polícia. Cada sala tinha entre, três a cinco raparigas, intituladas de "escravas", e que tinham que obedecer aos pedidos de fotografias e vídeos com atos sexuais de quem assistia. Por exemplo, uma jovem foi obrigada a escrever a palavra "escrava" nos órgãos genitais e outra a imitar um cão a ladrar enquanto estava nua.

Os grupos foram descobertos por estudantes de jornalismo, no verão passado, e a polícia avançou de imediato com uma investigação que resultou na prisão do líder da rede, em março. Foi acusado de produzir e distribuir material sexual ilegal, assédio sexual, violação, coação, fraude, violação da proteção de informação privada, e considerado culpado de "instruir um terceiro a violar uma vítima, que era menor de idade", afirmou o juiz Lee Hyun-woo, do Tribunal Distrital Central de Seul.

Na altura, mais de quatro milhões de pessoas assinaram duas petições a exigir que o líder enfrentasse uma pena de prisão pesada. Os procuradores pediram para que o arguido fosse condenado a prisão perpétua, por ter cometido um crime "sem precedentes na história e por ter insultado e abominado as vítimas sem remorsos". No entanto, foi-lhe atribuído o uso de uma pulseira eletrónica no tornozelo durante 30 anos e uma multa no valor de dez mil euros, por não ter antecedentes criminais e ter feito acordos com algumas das vítimas. "Considerando a gravidade e a meticulosa conspiração dos crimes, o número e os danos das vítimas, os danos sociais causados pelo crime e a atitude do arguido, é necessário isolá-lo da sociedade durante muito tempo", explica o juiz.

A polícia prendeu ainda mais 120 pessoas que estavam envolvidas nos grupos da rede sexual online, tendo já sido decretada uma sentença entre sete a quinze anos de prisão a alguns deles. Entre os membros, estava um menor que foi condenado a cumprir entre cinco a dez anos de prisão.

No julgamento, que terminou a 22 de outubro, algumas vítimas testemunharam: "Quero perguntar o que lamenta e no que reflete quando diz: 'lamento'. Ele aterrorizou as vítimas ao chamar-nos de escravas. Pergunto-me se alguma vez pensou nas vítimas como verdadeiros seres humanos", diz.

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"Devido à informação pessoal e ao vídeo de exploração sexual, é difícil viver uma vida diária. Estou tão ocupada a apagar os vídeos distribuídos por Cho Joo-bin que as minhas cicatrizes diárias parecem ser intermináveis, independentemente do tratamento que recebo. Tal como as minhas feridas, espero que o castigo de Cho seja interminável", afirma outra vítima, cita a CNN.

Lee Hyo-rin, um ativista de uma organização sem fins lucrativos, comentou que o veredicto do tribunal é uma oportunidade para se refletir sobre os anteriores crimes sexuais digitais. "No passado, os crimes sexuais digitais, na Coreia do Sul, receberam punições fracas, pelo que as críticas em relação ao sistema judicial foram elevadas. Existem crimes semelhantes em curso no país e espero que esta sentença influencie os futuros crimes sexuais online para punições mais graves", disse.

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