Exploração sexual

Redes de tráfico humano atacam mulheres e crianças ucranianas

Redes de tráfico humano atacam mulheres e crianças ucranianas

Organizações humanitárias alertam para exploradores sexuais em campos de acolhimento de refugiados ucranianos. Predadores fingem ser voluntários para passar despercebidos.

Sentiram os horrores da guerra na pele e tiveram de deixar tudo para trás. Quando pensavam que estavam seguras e podiam baixar as defesas, as mulheres e crianças ucranianas ainda têm de resistir aos ataques das redes de tráfico humano.

"No primeiro dia como voluntária, vimos três homens italianos. Pareciam estar à procura de mulheres bonitas para o comércio sexual. Alertei a polícia e estava certa. Não era paranoia!". A história, passada num campo de acolhimento polaco, foi contada à BBC por Margherita Husmanov, uma refugiada ucraniana.

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Há duas semanas, a jovem ucraniana atravessou a fronteira e decidiu ficar no campo para ajudar refugiados vulneráveis como ela. "As mulheres e crianças vêm de uma guerra terrível. Não falam polaco nem inglês. Não sabem o que se está a passar e acreditam no que lhes dizem".

Em tempos normais, as redes de tráfico humano já eram bastante ativas na zona. Com a chegada da guerra, intensificaram ainda mais a sua ação. A ONU já deu o alerta.

"Para predadores e traficantes sexuais, a guerra na Ucrânia não é uma tragédia: é uma oportunidade e as mulheres e crianças são os alvos", alertou no Twitter, António Guterres, secretário-geral da ONU.

Crianças são alvo fácil

Karolina Wierzbiska, coordenadora da Homo Faber, uma organização humanitária de Lublin, confirma que as crianças ucranianas são um alvo fácil. Há muitos menores a viajar sozinhos e os processos de registo são deficientes. Várias crianças, principalmente as que chegaram no início da guerra, estão em paradeiro incerto.

Margherita diz que as forças policiais já estão mais vigilantes e que, no seu campo, quase não se vêm homens suspeitos com cartazes a oferecer boleias. Mas isso não significa que as ameaças desapareceram. Apenas aprenderam a camuflar-se.

Karolina confirma que há predadores a fingirem ser voluntários e a tentar empurrar refugiadas para carrinhas com a promessa de um destino seguro. Muitas não desconfiam e vão. Para onde, não se sabe. Mas desconfia-se.

A voluntária conta ainda o caso de uma mulher que aceitou alojamento de um alemão, em Dusseldorf. Ele ficou-lhe com os documentos e exigiu que limpasse a casa. Depois, começou a fazer propostas sexuais. Ela recusou e ele pô-la na rua.

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