Risco de vida

Refugiado afegão a viver no Porto pede ajuda para trazer mãe e irmã para Portugal

Refugiado afegão a viver no Porto pede ajuda para trazer mãe e irmã para Portugal

O refugiado afegão Nasir Ahmad, que vive no Porto desde 2016, pediu esta segunda-feira ajuda para trazer para Portugal a sua mãe e a sua irmã, uma ativista pelos direitos das mulheres, já que correm perigo de vida em Cabul.

"Eles vão persegui-las. Elas vão para a prisão porque ela [a irmã] é ativista. Para eles, mulher não significa nada. Eles nem as deixam ir ao médico, imagina, porque não têm um homem e têm de sair com um homem", contou à Lusa.

Porque tem mobilidade reduzida e usa uma cadeira de rodas, a mãe de Nasir, Roshan Noori, de 75 anos, depende da irmã, Lida Ahmadi, de 35 anos.

Mas Lida Ahmadi "tem um problema de segurança", por ser ativista, "e ela não pode sair sem um homem". "Já perdi o meu pai há muitos anos", lamenta Nasir.

Nasir Ahmad chegou a Portugal em 2016, altura em que lhe foi concedido asilo político, e vive no Porto desde então.

Fez mestrado em Marketing, na Universidade Católica Portuguesa, e a crise provocada pela pandemia de covid-19 veio dificultar a busca por trabalho.

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Saiu do Afeganistão porque foi alvo de várias ameaças, por parte do Governo e dos talibãs, por trabalhar numa ONG (Organização não Governamental).

Nas últimas semanas, a situação no Afeganistão ficou "muito pior -- agora todo o Afeganistão está com terroristas talibãs".

É por isso que espera resposta rápida do Governo português, já que se prevê que só seja possível a retirada de afegãos do país até ao final do mês.

Ainda consegue manter contacto com elas, "mas não é normal como antes -- agora o telemóvel também está controlado e às vezes a rede também não funciona bem".

O sonho é poder partilhar o que tem no Porto com a sua família: "Eu aqui gosto. Adoro Portugal, amo Portugal e amo as pessoas portuguesas. Este é o país de que eu gosto. Quero que a minha irmã, como eu, acabe de estudar".

"Quero viver como uma pessoa normal", remata.

Na quarta-feira, Eduardo Cabrita adiantou que Portugal irá começar a acolher refugiados afegãos "tão breve quanto possível", estando previsto, numa primeira fase, o acolhimento de cerca de 50 pessoas.

"Haverá o transporte de pessoas que trabalharam com a UE ou com outras instituições para Espanha e, a partir daí, uma análise da sua situação e uma recolocação entre vários países europeus", explicou o governante.

Sobre a possibilidade de Portugal receber refugiados afegãos que não estejam nessa situação, o ministro reconheceu a posição particularmente frágil das mulheres e de outras pessoas envolvidas na promoção dos direitos humanos no Afeganistão, mas sublinhou que não poderá haver "fluxos migratórios desordenados".

A Lusa contactou o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e o Ministério dos Negócios Estrangeiros sobre o pedido de Nasir Ahmad, mas ainda não obteve resposta.

Um porta-voz dos talibãs afirmou hoje que estender além do final de agosto os esforços dos países aliados para retirar pessoas do Afeganistão representa uma "linha vermelha" e provocaria "uma reação".

Desde que os talibãs entraram em Cabul, milhares de pessoas reuniram-se perto do aeroporto internacional da capital para tentar sair do país antes de 31 de agosto, data fixada pelo governo dos Estados Unidos para a retirada final das suas forças no Afeganistão.

Os talibãs conquistaram Cabul no dia 15 de agosto, concluindo uma ofensiva iniciada em maio, quando começou a retirada das forças militares norte-americanas e da NATO.

As forças internacionais estavam no país desde 2001, no âmbito da ofensiva liderada pelos Estados Unidos contra o regime extremista (1996-2001), que acolhia no seu território o líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, principal responsável pelos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.

A tomada da capital põe fim a uma presença militar estrangeira de 20 anos no Afeganistão, dos Estados Unidos e dos seus aliados na NATO, incluindo Portugal.

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