Alemanha

Refugiado sírio candidata-se ao parlamento para combater racismo e é alvo de… racismo

Refugiado sírio candidata-se ao parlamento para combater racismo e é alvo de… racismo

Tareq Alaows, do partido Os Verdes, desistiu da corrida devido a uma "torrente de ameaças e insultos xenófobos". Partido de Merkel solidário.

"A minha candidatura provou isto: precisamos de estruturas fortes na sociedade alemã e em todos os partidos e políticas para enfrentar o racismo estrutural e ajudar os afetados". A declaração é de Tareq Alaows, o refugiado sírio que chegou à Alemanha em 2015 e era o candidato do partido Os Verdes às eleições federais para o Bundestag, o parlamento alemão, em setembro de 2021.

Mas Tareq foi obrigado a desistir: "Fiquei chocado com o racismo que encontrei durante a minha breve campanha", disse, citado pela revista "Politico", sem detalhar as ameaças específicas que recebeu. Por "questões de segurança", retirou-se totalmente da vida pública e não dá sequer entrevistas.

Tareq Alaows, que concorria pelo círculo de Dinslaken, cidade no oeste da Alemanha, disse ainda, em comunicado publicado no site de Os Verdes, que "o alto nível de ameaça para mim, e especialmente para pessoas próximas de mim, é o motivo mais importante para retirar a minha candidatura".

Asilo complicado

Sublinhando que que o seu objetivo era "combater a discriminação estrutural como parlamentar alemão", Tareq lembrou as "imensas dificuldades" que teve quando chegou em 2015, fugido da guerra na Síria, e solicitou asilo à Alemanha. "Foi uma grande confusão, as autoridades foram passando a responsabilidade pelos procedimentos de asilo umas para as outras durante meses". E acrescentou: "Nós, portanto, não tivemos hipótese de solicitar de imediato os nossos pedidos de asilo".

O sírio, que entretanto já obteve asilo na Alemanha, estava otimista de que também obteria a cidadania alemã a tempo das eleições federais, um pré-requisito para poder concorrer.

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"O meu advogado e eu estamos convencidos de que cumpro os critérios necessários", disse Tareq em fevereiro, citado pela imprensa alemã.

Reações de condenação

Entretanto, vários políticos reagiram com consternação à notícia. Paul Ziemiak, secretário-geral dos democratas-cristãos, partido da ainda chanceler Angela Merkel, disse no Twitter: "Sinto raiva por um jovem empenhado ter que retirar a sua candidatura a um cargo político porque foi alvo de ataques racistas. Nós, democratas, levantamo-nos contra esse ódio e agitação".

Katrin Göring-Eckardt, dirigente do grupo parlamentar de Os Verdes, escreveu também no Twitter: "É extremamente vergonhoso para a nossa sociedade democrática que não seja possível para Tareq Alaows concorrer ao Bundestag sem colocar em risco a sua própria segurança e a de sua família".

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