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Refugiados ucranianos enfrentam câmbio especulativo

Refugiados ucranianos enfrentam câmbio especulativo

As dificuldades em trocar dinheiro com taxas razoáveis estão a acentuar o drama de muitos refugiados ucranianos na Polónia. A somar às longas filas de espera, somam-se ainda a especulação e a usura, que as entidades polacas tentam combater sem grande sucesso.

Largas centenas de milhares de ucranianos que chegaram à Polónia nas últimas semanas para fugir da guerra no seu país estão a enfrentar um drama adicional: as dificuldades em conseguirem trocar o dinheiro que trazem consigo por outras moedas.

Apesar de o hryvnia, moeda ucraniana (0,031 euros), ter uma valorização sete vezes superior ao zloty polaco, no ato da troca as posições invertem-se. O "El Pais" denunciou casos ocorridos na fronteira da Polónia em que 100 hryvnias davam direito a apenas 4 zlotys, o que representa uma depreciação da moeda ucraniana muito superior a mil por cento.

A situação arrasta-se desde o dia seguinte ao começo da guerra, a 24 de fevereiro, quando o Banco Nacional Polaco congelou a taxa de câmbio e suspendeu os pagamentos transfronteiriços e todas as trocas e levantamentos de moeda.

Devido às queixas dos refugiados, o Provedor de Justiça polaco emitiu um comunicado no qual expressava a sua preocupação com as "dificuldades significativas" que os refugiados ucranianos encontraram na venda de hryvnias e o "impacto direto" que essa questão "tem na sua situação económica e dignidade". Na mesma nota, o provedor assegurou que o câmbio oferecido por algumas empresas "pode ​​ser visto como uma espécie de cobrança abusiva", tendo pedido ao primeiro-ministro, Mateusz Morawiecki, e ao presidente do Banco Nacional da Polónia, Adam Glapinski, que encontrassem soluções para minorar o problema.

Os proprietários das casas de câmbio defendem-se das acusações, ao argumentarem que a desvalorização do hryvnia se deve ao excesso de oferta e a uma tentativa de evitar que o mercado fique inundado com essa unidade monetária. Em Varsóvia e Cracóvia, as duas principais cidades do país, são já muitas as lojas de câmbios que rejeitam aceitar notas ucranianas.

Para minimizar os efeitos da onda especulativa, o Banco Nacional Polaco estabeleceu-se entretanto como fiador e criou uma taxa de câmbio mais favorável para os ucranianos. Ao abrigo desta medida, os refugiados podem transferir hryvnias dos bancos no seu país para contas abertas em bancos privados polacos, imediatamente convertíveis em zlotys.

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Vários especialistas financeiros ouvidos pelo "El Pais" já se pronunciaram contra a garantia por entenderem que ela representa "um risco sistémico" para o país, pois "ter uma moeda que não é cambiável é como ter um ativo tóxico".

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