Paris

"Regras são regras" e Jeanne foi barrada no museu por causa do decote

"Regras são regras" e Jeanne foi barrada no museu por causa do decote

Jeanne, uma estudante de literatura francesa, foi surpreendida quando na última terça-feira, dia quente em França com os termómetros a bater os 26º Celsius, a barraram à entrada do Museu de Orsay, em Paris. "Regras são regras", disse-lhe um funcionário, referindo-se ao vestido curto que a jovem usava, explicando que só poderia entrar se se cobrisse com o casaco. A situação foi denunciada nas redes sociais e o museu já pediu desculpa pelo "incidente".

Amante das artes, Jeanne decidiu passar o fim daquela tarde quente de terça-feira no Museu de Orsay, mas não esperava que o vestido que levava seria um entrave. "Estava longe de imaginar que o meu decote seria assunto de qualquer desacordo", escreve a jovem numa publicação no Instagram, onde relata o sucedido.

Jeanne refere que apesar de a amiga que a acompanhava estar a usar um top curto que mostrava o umbigo, a atenção estava voltada para o seu decote, ainda antes de ter oportunidade de mostrar o bilhete de entrada. "Oh não, isso não vai ser possível, isso não é permitido, isso não é aceitável", continua a estudante, citando um funcionário do museu.

Depois, um segurança chegou à entrada para explicar as regras do museu. "Em nenhum momento alguém me disse que o decote é um problema, estavam claramente a olhar para os meus seios, referindo-se a eles como 'isso'", recordou Jeanne.

Inicialmente, a jovem recusou-se a vestir o casaco. "Não quero vestir o casaco porque me sinto rebaixada, forçada, tenho vergonha. Sinto que todos estão a olhar para os meus seios. Tudo o que sou são os meus seios; tudo o que sou é uma mulher que eles estão a sexualizar".

Quando a publicação de Jeanne nas redes sociais se tornou viral, o museu respondeu, afirmando que tinha tomado conhecimento de um "incidente" envolvendo uma visitante. "Lamentamos profundamente e pedimos desculpa à pessoa envolvida, com quem estamos a entrar em contacto".

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Jeanne disse à BBC que estava satisfeita com o facto de o museu a ter "contactado pessoalmente por telefone" e ter sido "muito compreensivo, apresentando um sincero pedido de desculpas". No entanto, ela sentiu que a resposta pública do museu no Twitter "falha em reconhecer a natureza sexista e discriminatória da situação".

A jovem disse ainda que não ficou chateada com o que aconteceu e que ama muito a arte para decidir não voltar àquele museu.

Não ficaram porém esclarecidas as regras que o museu alegava. O jornal francês "Libération" aponta algumas regras referentes a "roupas decentes" e a proibição de roupas que "possam perturbar a paz", mas acredita que o museu percebeu claramente que não eram relevantes neste caso. Aquela conversa no museu é de funcionários "excessivamente zelosos", lê-se no site do "Le Parisien".

O Museu de Orsay é um dos principais destinos turísticos de Paris, onde se podem ver algumas obras de nudez mundialmente conhecidas, como a "Origem do Mundo" de Gustave Courbet, "Olympia" de Edouard Manet ou "Grand nu" de Auguste Renoir.

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