Crise

Rei da Jordânia garante fim da discórdia real e mostra-se "magoado"

Rei da Jordânia garante fim da discórdia real e mostra-se "magoado"

O Rei Abdallah II da Jordânia garantiu esta quarta-feira que foi ultrapassada a crise que abalou a monarquia nos últimos dias, na qual o seu meio-irmão, o príncipe Hamzah, foi acusado de estar envolvido, mostrando-se "magoado".

"Garanto que a discórdia foi cortada pela raiz. O desafio dos últimos dias não foi o mais perigoso para a estabilidade do país, mas foi o mais doloroso para mim porque as partes envolvidas nesta sedição eram da nossa casa e do exterior", afirmou Abdallah II numa mensagem lida em seu nome na televisão pública jordana.

Segundo o monarca jordano, que não especificou sobre quem estava a referir-se, o príncipe Hamzah está no seu próprio palácio com a família no palácio e sob a proteção do rei.

"Hamzah está já com a sua família [Hachemita] no seu palácio, sob minha proteção. Prometeu perante a família seguir o caminho dos seus pais e avós, ser fiel à sua mensagem e colocar os interesses da Jordânia, a sua Constituição e as suas leis acima de todas as outras considerações", afirmou o soberano jordano.

Trata-se da primeira vez que o soberano jordano fala sobre a crise sem precedentes na monarquia já centenária.

O meio-irmão de Abdallah II foi acusado pelas autoridades jordanas de estar envolvido num "plano maléfico" destinado a desestabilizar o trono.

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"Não consigo descrever o que senti como um choque, dor e raiva como irmão e guardião da família Hachemita e como líder deste querido povo", acrescentou Abdullah II.

O monarca referiu que os restantes aspetos do caso estão a ser objeto de investigação, garantindo que os resultados das averiguações "serão tratados com transparência".

Hoje de manhã, uma nova gravação de áudio entretanto surgida indica que as autoridades jordanas tentaram silenciar o antigo príncipe herdeiro por se encontrar com críticos do regime, mas não existe qualquer menção a uma suposta conspiração estrangeira.

A Jordânia emitiu uma ordem de silêncio sobre toda a cobertura do caso envolvendo o meio-irmão de Abdullah II, horas depois de a gravação circular na Internet, indicando que as autoridades estão cada vez mais nervosas sobre como a crise sem precedentes na família real está a ser percebida.

A gravação circulou logo após o palácio e um mediador próximo do príncipe Hamzah dizerem que a família real estava num processo de resolução da crise.

A gravação parece registar o encontro, no sábado, entre Hamzah e o general Youssef Huneiti, o chefe do Estado-Maior militar, que foi ao palácio do príncipe para informá-lo de que estava em prisão domiciliária. O encontro parece ter desencadeado a crise política, a mais grave no reino em décadas.

Na gravação, o chefe do Estado-Maior militar diz que o príncipe está a ser punido por causa das reuniões que teve com indivíduos que "começaram a falar mais do que deveriam".

O príncipe levanta a voz, acusando o general de ameaçá-lo e diz-lhe que não tem o direito de dar ordens a um membro da família real.

"Vem até mim e diz-me, em minha casa, o que fazer e com quem encontrar no meu país e do meu povo? Você está a ameaçar-me? (...) Vem à minha casa e diz-me que você e os líderes de segurança estão a ameaçar-me? Para não sair de casa, apenas estar com a família e não 'tweetar'?", ouve-se na voz do príncipe na gravação.

"O mau desempenho do Estado é por minha causa? O fracasso é por minha causa? Os erros são culpa minha?", continuou o príncipe.

Huneiti, falando com voz calma, nega ter ameaçado o príncipe e diz que está simplesmente a entregar uma mensagem dos responsáveis dos serviços de informação e segurança geral. Nessa altura, Hamzah já estava a gritar com o militar.

"Entre no carro, senhor!", disse o príncipe, no sentido de mandar sair o seu interlocutor. Nenhum dos dois menciona o rei ou uma conspiração estrangeira.

A gravação é consistente com a descrição anterior feita pelo príncipe sobre o encontro.

No dia seguinte ao encontro, o ministro dos Negócios Estrangeiros jordano, Aymane Safadi, anunciou que as autoridades detiveram mais de uma dúzia de pessoas e frustraram uma conspiração estrangeira, sem dizer que país estava envolvido em tal ato.

Hamzah, num vídeo divulgado sábado, negou fazer parte de qualquer conspiração e atacou as autoridades pelo que disse serem anos de corrupção e incompetência.

O príncipe, meio-irmão de Abdullah II, disse que estavam a tentar silenciá-lo por causa das suas críticas.

Em comunicado, o chefe militar negou que Hamzah tivesse sido preso.

Embora Abdullah e Hamzah tenham boas relações em geral, Hamzah por vezes manifestou-se contra as políticas do Governo e, recentemente, estabeleceu laços com poderosos líderes tribais num movimento visto como uma ameaça ao rei.

Hamzah, de 41 anos, é o último filho do antigo Rei Hussein com a sua quarta e última mulher, Noor, de origem norte-americana.

Antes de morrer, em 1999, Hussein designou Hamzah como príncipe herdeiro e o seu meio-irmão Abdullah como rei, mas o título de príncipe herdeiro foi-lhe retirado em 2004 e conferido ao filho mais velho de Abdullah II, Hussein.

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