Filipe VI

Rei de Espanha homenageia "valente povo ucraniano" na abertura do Fórum La Toja 

Rei de Espanha homenageia "valente povo ucraniano" na abertura do Fórum La Toja 

O rei de Espanha entregou esta quinta-feira "ao valente povo ucraniano" o prémio anual do Fórum La Toja, na abertura do evento, que decorrerá até sábado na ilha com aquele mesmo nome na Galiza.

O galardão foi entregue em mãos ao embaixador da Ucrânia em Espanha, Serhii Pohoreltsev, e aplaudido de pé pelas individualidades presentes. "Espanha está com a Ucrânia", afirmou Filipe VI, que até hoje marcou presença em todas as quatro edições daquele fórum.

No seu discurso inaugural, o rei de Espanha referiu que esta edição ocorre num momento em que "o cenário geopolítico está definido pela agressão ilegal e injustificada à Ucrânia por parte da Rússia e o seu impacto em múltiplos âmbitos".

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"Este episódio, que se prolonga há mais de sete meses, causou um indizível sofrimento ao povo ucraniano (e à sua economia), com graves consequências para a paz e estabilidade mundiais", declarou, acrescentando "a mais profunda admiração face à firmeza demonstrada pelo governo ucraniano, junto da vontade, capacidade e coragem das suas Forças Armadas, e a sofrida resistência da sua população, na defesa da sua soberania e independência".

Filipe VI enalteceu, de resto, a outorga do prémio Fórum La Toja "ao valente povo da Ucrânia". "A heroica resistência deste povo não se pode entender somente com uma estrita defesa do seu território. É a contenda por uma sociedade democrática e aberta. Pela sua e também pela de todos os que acreditamos no valor da liberdade e da democracia, e defendemos o respeito do direito internacional e aos direitos humanos", sublinhou, acrescentando depois: "Querido embaixador. Recebeste um prémio, sem dúvida, muito merecido, pelo seu formidável significado e alcance, mas que, sem nenhuma dúvida, preferíamos não o ter entregue".

Emotivo, Serhii Pohoreltsev agradeceu "a honra" de tomar em mãos aquele galardão, mas fez também questão de sublinhar que "o melhor prémio é o apoio de Espanha à Ucrânia.

"O êxito da nossa luta não teria sido possível, sem o apoio solidário de todos os países, sócios e amigos, entre eles Espanha que desempenhou e continuar a desempenhar um papel especial, outorgando refúgio temporário a milhares de ucranianos, a maioria mulheres e crianças, e enviando ajuda humanitária ao meu país", declarou, considerando que "a decisão do governo de Espanha de subministrar armas que a Ucrânia necessita tanto para defender a sua liberdade foi um momento chave deste tipo de apoio". "Por isso, não é nada incorreto se digo que para os ucranianos, o melhor prémio é a solidariedade e ajuda que Espanha prestou e continua a prestar ao meu povo", acrescentou.

Serhii Pohoreltsev lembrou ainda "as profundas sequelas que a agressão russa está a causar à Ucrânia com mortes de crianças e de mulheres, e massacres que representam crimes de guerra". Pediu apoio de "mais países", no que toca "a ajuda humanitária, fornecimento de armamento e de tudo o que se refere à integração [daquele país] na União Europeia", para que "juntos" conquistem o fim da guerra. "E o fim da guerra significa recuperar todos os territórios temporariamente ocupados pelo invasor russo e conseguir a paz", concluiu.

A invasão da Ucrânia pela Rússia e os seus efeitos, a todos os níveis, incluindo a construção de uma nova "arquitetura mundial", estarão ainda hoje e ao longo do fórum da La Toja em cima da mesa.

Dmytro Kuleba, Ministro dos Assuntos Estrangeiros da Ucrânia, é convidado de um primeiro painel esta tarde. Intervirá via videoconferência, num momento que conta ainda com a presença do seu homólogo espanhol José Manuel Albares e moderação de Josep Piqué, presidente do Fórum La Toja.

Outros temas marcam o programa da 4.ª edição do evento, como a autonomia e a segurança energética da Europa, cibersegurança, inflação e autonomia territorial. De destacar amanhã, à tarde, a presença do ex-governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, num painel dedicado à temática "Lutar contra a inflação".

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