Covid-19

Reino Unido confirma outra variante "mais transmissível" ligada à África do Sul

Reino Unido confirma outra variante "mais transmissível" ligada à África do Sul

Dois casos de uma nova variante "mais transmissível" da covid-19 ligada à África do Sul foram identificados no Reino Unido, disse esta quarta-feira o secretário de Estado da Saúde britânico.

Matt Hancock afirmou numa conferência de imprensa em Downing Street que ambos os casos são contactos de pessoas que viajaram da África do Sul nas últimas semanas.

As pessoas infetadas com a nova variante e os contactos delas estão em quarentena.

"Esta nova variante é altamente preocupante porque é ainda mais transmissível e parece ter sofrido mais mutações do que a nova variante que foi descoberta no Reino Unido", acrescentou Matt Hancock, garantindo que a nova estirpe "será analisada em breve em Porton Down".

Foram anunciadas restrições imediatas para quem viaja da África do Sul. Além disso, as pessoas que estiveram em contacto com qualquer pessoa que tenha estado na África do Sul nas últimas duas semanas foram informadas que devem entrar em quarentena.

O secretário de Estado da Saúde disse que o Governo britânico está "extremamente grato ao Governo sul-africano pelo rigor da sua ciência e pela abertura e transparência com que agiram corretamente, tal como agimos quando descobrimos uma nova variante aqui".

Investigadores dizem que variante é "mais transmissível"

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A variante do novo coronavírus detetada na África do Sul estará a espalhar-se mais rapidamente do que as estirpes mais antigas, o que explicará a brusquidão da segunda vaga no país, segundo os investigadores que a identificaram.

"Acreditamos, e todas as provas apontam nessa direcção, que esta variante é mais transmissível", disse hoje Túlio de Oliveira, diretor do instituto de investigação KRISP, com sede na Universidade de Kwazulu-Natal, à agência France-Presse (AFP).

A sua equipa já sequenciou centenas de amostras de todo o país desde fevereiro. Os investigadores observaram que uma "variante específica domina os resultados dos últimos dois meses", indicou o Governo na segunda-feira, anunciando a identificação desta nova variante, semelhante a outra variante britânica.

Basicamente, "80 a 90% das amostras colhidas na segunda quinzena de novembro" mostraram esta variante, disse Túlio de Oliveira.

"Nunca vimos uma única linhagem dominar assim" ou "espalhar-se tão rapidamente", observa ele. Até então, "normalmente", circulavam entre 20 e 30 variantes ao mesmo tempo, em várias sequências.

"O que sabemos sobre esta nova variante chamada 501.V2 é que provavelmente surgiu na área da Baía de Nelson Mandela", em torno de Port Elizabeth (sul-sudeste).

Depois, "espalhou-se para a Cidade do Cabo, a região mais turística do país", para o oeste, mas também para o norte, para Durban, explicou Túlio de Oliveira.

A África do Sul, de longe o país africano mais afetado pela pandemia, registou em dezembro até mais de 10 mil novos casos em 24 horas.

Mais de 940 mil pessoas testaram positivo desde o início da pandemia e mais de 25.000 sul-africanos morreram.

*Com Lusa

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