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Reino Unido recusa extradição de pirata informático para os Estados Unidos

Reino Unido recusa extradição de pirata informático para os Estados Unidos

O pirata informático britânico Gar McKinnon, acusado de entrar em computadores do exército norte-americano, não vai ser extraditado para os Estados Unidos por sofrer da síndrome de Asperger.

"McKinnon é acusado de crimes graves, mas também não há dúvidas de que está gravemente doente", disse a ministra do Interior, Theresa May, no Parlamento.

Segundo a ministra, a extradição de McKinnon seria uma violação dos direitos humanos do acusado, incluindo pelo elevado risco de se tentar suicidar.

McKinnon, de 46 anos, foi detido em Londres em 2002 por entrar em dezenas de computadores do Pentágono e da NASA e bloquear 300 computadores de uma base da Marinha, pouco tempo depois dos atentados de 11 de setembro de 2001.

McKinnon nunca negou os factos e alegou que procurava documentos secretos sobre OVNI (Objetos Voadores Não Identificados).

Em 2007, foi-lhe diagnosticada síndrome de Asperger, uma perturbação do desenvolvimento do espetro do autismo.

A batalha jurídica pela extradição de McKinnon, iniciada em 2006, tornou o "hacker" britânico um símbolo da campanha pela revisão do acordo de extradição entre o Reino Unido e os Estados Unidos.

Ao longo dessa década, McKinnon perdeu dois recursos, um na Câmara dos Lordes e outro no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.

Se fosse extraditado para os Estados Unidos, o "hacker" incorria numa pena de até 60 anos de prisão.