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Renovação política e crescimento de partidos secundários marcam eleições

Renovação política e crescimento de partidos secundários marcam eleições

A renovação, com a eleição de candidatos mais jovens, e o crescimento de partidos secundários marcaram as eleições municipais brasileiras e devem mudar o equilíbrio das forças políticas no país, segundo a politóloga Jacqueline Quaresemin de Oliveira.

"Nas capitais e regiões metropolitanas foram eleitas pessoas de diferentes partidos, com menos de 50 anos. O Brasil carece dessa renovação e da formação de novos líderes políticos, isso é um ponto positivo", disse hoje à Lusa a professora da Escola de Sociologia e Política de São Paulo.

Oliveira afirmou que o fortalecimento de partidos médios, atualmente aliados ao Partido dos Trabalhadores (PT, no Governo) ou ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB, principal partido de oposição), pode quebrar a polarização que existe hoje entre essas duas forças.

A politóloga realçou como principais novas forças o Partido Socialista Brasileiro (PSB), o Partido Democrático Trabalhista (PDT) e o Partido Social Democrático (PSD).

"Os partidos médios vão buscar espaços maiores no governo ou na composição de alianças, todos terão de se reestruturar. E o Governo deverá estimular políticas públicas para as regiões administradas por partidos coligados", disse Oliveira, por telefone.

O novo cenário, segundo a politóloga, fez surgir uma importante figura para as eleições presidenciais de 2014, Eduardo Campos, do PSB, hoje na coligação da Presidência de Dilma Rousseff.

Já o PSD demonstrou interesse em apoiar a reeleição da presidente, mas deve buscar mais espaço no Governo.

As lideranças da oposição ao Governo atual também foram influenciadas pelas eleições municipais.

A perda da votação em São Paulo no domingo por José Serra, do PSDB, fortalece o político Aécio Neves, de Minas Gerais, como um dos possíveis candidatos às eleições de 2014 pelo partido, afirmou a professora.

A politóloga comentou também sobre a alta taxa de abstenção de eleitores em São Paulo, que se aproximou de 20%, a maior desde sempre num país onde o voto é obrigatório.

Segundo Oliveira, podem ter influenciado nesse resultado a indecisão ou falta de identificação com os candidatos por parte dos eleitores que apoiavam Celso Russomano (Partido Republicano Brasileiro), que teve grande votação mas não passou para a segunda volta da eleição na cidade.

O descontentamento com o processo político e com as denúncias de corrupção também pode ser uma das causas do registo de um alto número de abstenções, assim como as fortes chuvas que caíram na cidade à tarde e a falta de atualização dos cadastros do tribunal eleitoral.

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