EUA

Republicanos absolvem Trump, Nancy Pelosi não

Republicanos absolvem Trump, Nancy Pelosi não

O Senado dos Estados Unidos encerrou esta quarta-feira, com a previsível absolvição, o processo de destituição de Donald Trump, a nove meses das eleições presidenciais de novembro e numa altura de crispação tão rara que o Congresso viveu um episódio inédito: enquanto congressistas republicanos e convidados o aplaudiam de pé, a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, rasgava uma cópia do discurso sobre o estado da nação, na terça-feira.

"Foi o gesto mais cortês, face às alternativas", explicou a líder democrata, à saída do tradicional ato que Trump fez questão de manter na véspera do desfecho do julgamento político, no qual era acusado de abuso de poder e obstrução ao Congresso, por ter pressionado o presidente da Ucrânia a mandar investigar a família do seu adversário Joe Biden. A maioria republicana, que tem 53 senadores (contra 47 democratas), votou contra, mas um deles, Mitt Rommey, pronunciou-se pela condenação: "O presidente é culpado de um abuso terrível da confiança pública".

O gesto de Pelosi foi também uma resposta à grosseria de Trump. À chegada ao púlpito, e após entregar-lhe a cópia do discurso, voltou ostensivamente as costas à presidente da "Casa" quando ela lhe estendeu a mão para o cumprimentar. Quando, após uma hora e 18 minutos, a intervenção terminou e ele era aplaudido de pé, a "speaker" levantou-se e foi rasgando conjunto de páginas do texto.

Alguns democratas apressaram-se a sair; outros tinham abandonado a sala durante a intervenção, protestando contra as "mentiras" de Trump. Durante o discurso, houve vaias e risos. Mas também pelo menos um aplauso comum, de pé, até de Pelosi, quando Trump saudou um convidado na galeria - o líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, que apresentou como "o presidente legítimo da Venezuela".

A presença de Guaidó servia para ilustrar a promessa reiterada por Trump de que o mandato do presidente Nicolás Maduro "será esmagado e destruído" e mantido o apoio aos opositores cubanos e venezuelanos "para restaurar a democracia". De passagem, gabou-se das sanções "severas" impostas às ditaduras comunistas e socialistas" e de ter "revogado as políticas falidas da Administração anterior (Barack Obama) com Cuba".

um "entertainer" em ação

Antigo "entertainer" de televisão, o presidente valeu-se de técnicas do espetáculo para levar ao moinho da campanha a água das suas mensagens. Na galeria, estava um agente de patrulha de fronteira e a irmã de um homem assassinado por um imigrante ilegal. Trump carregou forte, anunciando que dentro de um ano terá mais 805 quilómetros de muro feitos na fronteira com o México e que imigrantes ilegais perderão o apoio na saúde e serão expulsos.

Apontou ainda uma mulher na galeria: tinha "uma surpresa muito especial". Então, um militar, que estaria há meses em missão, começou a descer as escadas. Era o mote para renovar a promessa de "trazer de regresso a casa" os soldados no Afeganistão: "Não é nossa função ser agência de segurança de outros países". No entanto...

"Peço ao Congresso que termine o perigoso sequestro da Defesa e financie plenamente o nosso grande Exército", para enfrentar "regimes desonestos, grupos terroristas e rivais como a China e a Rússia", declarou. As sanções contra a economia iraniana vão continuar em vigor "até que Teerão abandone a sua política de armas nucleares e de difundir a morte e o terror".

Ainda no plano externo, autoelogiou a sua estratégia para forçar o México e o Canadá a celebrar novos acordos de comércio e das taxas alfandegárias extraordinárias impostas à China. No plano interno, manteve o tom eufórico. "A economia está melhor do que nunca" e "os anos de decadência acabaram".

Jovem ex-mayor faz frente aos veteranos

Pete Buttigieg, 38 anos, candidato democrata

Quase 48 horas depois, os resultados do "caucus" democrata no Iowa continuavam por fechar, dando a vitória provisória ao ex-"mayor" de South Bend, Indiana. Pete Buttigieg, 38 anos (o mais jovem candidato), ex-oficial da marinha, homossexual, centrista e reivindicando-se da moral e dos valores cristãos americanos, trepou de surpresa e assegurava 26,9% dos votos (estavam contados 75%) e 11 delegados. O senador Bernie Sanders, 78 anos, reunia 25,2% e 11 delegados.

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