Ucrânia

Resistência encurralada e Donbass à beira da rendição total

Resistência encurralada e Donbass à beira da rendição total

Guerra e ondas de choque. Finlândia "pronta para a luta se for atacada". Japão vigia e denuncia manobras navais chinesas e russas à volta do arquipélago.

Dia da Lembrança e da Tristeza, assinalados na Rússia e na Ucrânia. Putin depositou uma coroa de flores em homenagem aos soldados mortos durante a invasão nazi à União Soviética, desencadeada a 22 de Junho de 1941. Zelensky recordou "milhões de vidas perdidas" e não deixou de verificar na agressão russa em curso um certo decalque histórico. Oito décadas depois dos horrores cometidos por Hitler, a Europa e mundo tresandam a pólvora: Timo Kivinen, chefe militar da Finlândia, diz que o país nórdico está "pronto para lutar se for atacado"; e o Japão observa e denuncia o aumento de manobras navais chineses e russas em torno do arquipélago.

A fábrica de produtos químicos Azot é último baluarte da resistência ucraniana na autoproclamada República Popular de Donetsk. Um número indeterminado de militares faz tudo o que pode para adiar a inevitável capitulação, após semanas de cerco e de bombardeamentos. "Um inferno", como esta quarta-feira lhe chamou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Segundo Kiev, por lá permanecem ainda 568 civis, abrigados em condições sub-humanas.

Moscovo manda intensificar o cerco ao Donbass e também a República Popular de Lugansk, proclamada pelos separatistas pró-russos e reconhecida por Putin, está à beira da rendição total, com consequências imprevisíveis para o futuro do território. Ali, a solução parece estar prestes a deixar de ser militar. A via negociada também está cheia de entraves: "Depois de Bucha, o compromisso com a Rússia é impossível", diz o ex-presidente ucraniano Petro Poroshenko.

Seja como for, as engrenagens políticas e diplomáticas continuam em marcha. Entre quinta e sexta-feira, em Bruxelas, a cimeira de líderes dos 27 países da União Europeia, dominada pelo alargamento, terá todas as atenções centradas na mais do que provável atribuição à Moldova e à Ucrânia do estatuto de candidatas à adesão. A Geórgia também bate à parte. "Espero que [o Conselho Europeu] esteja à altura da responsabilidade histórica", disse a presidente da Comissão Europeia.

"Névoa escura da Guerra Fria"

No que Ursula Von de Leyen verifica uma premência, o presidente da China vê "a névoa escura do confronto da Guerra Fria". Xi Jinping critica também os alargamentos das alianças militares - Finlância e Suécia aguardam à entrada da NATO - e relembra que "a dolorosa história mostrou que o confronto entre blocos hegemónicos não traz paz nem segurança".

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O líder chinês - ou o chefe da diplomacia de Pequim em nome dele - também poderá sublinhar isso mesmo dentro de três semanas, na reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros do G20 (entre as maiores economias do Mundo, incluindo a União Europeia), marcada para 7 e 8 de julho próximo, na ilha indonésia de Bali. Da Rússia chegará Serguei Lavrov, que tenciona realizar uma série de reuniões bilaterais, em particular com os homólogos da China, da África do Sul, do Brasil e do México.

Destas agendas internacionais ressalta, ainda, o evento de uma organização que se reencontra com a História: constituída em 1975, para promover o diálogo Leste-Oeste, a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) tem marcada uma assembleia para a próxima semana, em Birmingham. Problema: Londres recusa emitir vistos à delegação russa. Moscovo acusa o Reino Unido de russofobia.

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