Investigação

Resistência Galega: o grupo terrorista que se refugiava em Portugal

Resistência Galega: o grupo terrorista que se refugiava em Portugal

Bombas em bancos, sedes de partidos e casas particulares. Desde 2005 que este foi o "modus operandi" da Resistência Galega, movimento independentista que teve uma célula desmantelada em Coimbra.

A ligação em Portugal já não é nova. Os últimos anos têm sido regulares em colaborações entre as autoridades portuguesas e espanholas. Sabe-se que alguns membros têm residências particulares em território luso e pelo menos duas portuguesas estiveram envolvidas nas ações do grupo galego. Mas o melhor é recuar no tempo, para conhecer este grupo.

2005 marca o nascimento oficial da Resistência Galega, através da Assembleia da Mocidade Independentista, uma organização juvenil revolucionária ligada ao Exército Guerrilheiro do Povo Galego Ceive. A maioria dos novos membros eram recrutados em meios universitários, de acordo com os "media" espanhóis. Antes de 2005, alguns ataques à bomba a bancos, obras públicas, partidos políticos e até em quartéis-generais do Exército permaneciam sem autoria em Espanha. Até que a Resistência Galega decidiu vir a público e reivindicá-los.

Só em novembro de 2005, foi publicado o "Manifesto de Resistência Galega" na Internet. O grupo terrorista galego ganhava um lugar na opinião pública e reivindicava assim as ações terroristas passadas. A maioria dos incidentes causou somente danos materiais, mas as autoridades espanholas mantiveram o grupo debaixo de olho. Entre 2005 e 2011 estima-se que tenham sido responsáveis por mais de 35 ataques com explosivos em várias zonas de Espanha.

Em 2006, o movimento chegava a Portugal: numa casa abandonada em Vieira do Minho foram apreendidos vários engenhos explosivos, onde se destacava igualmente a propaganda da Resistência Galega. Porém, acredita-se que as ligações ao território português tenham começado antes, na década de 90, já com alguma extensão do movimento independentista em Portugal. Susana Poças e Alexandra Vaz Pinheiro foram as únicas portuguesas julgadas em Espanha por aderir e participar na luta independentista da Galiza.

A imprensa espanhola refere, porém, que alguns membros do grupo tinham residências particulares além-fronteiras. Devido à proximidade com Portugal, o nosso país tornou-se um refúgio para os independentistas galegos e um facilitador em termos logísticos. A célula desmantelada em Coimbra vem demonstrar isso mesmo.

Num prédio localizado a 9 de novembro do ano passado na cidade portuguesa foram apreendidos "inúmeros utensílios utilizados na fabricação de engenhos/artefactos explosivos, nomeadamente relógios, temporizadores e telemóveis preparados como dispositivo de ativação remota de cargas explosivas, dispositivos pirotécnicos e engenhos explosivos improvisados, uma carga total de aproximadamente 30 kg pólvora, livros, apontamentos manuscritos e manifestos de propaganda dos ideais da Resistência Galega", detalha a PJ.

A operação conhecida esta segunda-feira decorreu em articulação com o Departamento de Ação e Investigação Penal (DIAP) Regional de Coimbra, no quadro de uma operação da Unidade Nacional Contra Terrorismo da Diretoria do Centro da PJ, em cooperação com a Guardia Civil espanhola. No decurso desta investigação, além das ligações logísticas a território nacional, não foi identificada qualquer outra ligação efetiva ou envolvimento direto de cidadãos portugueses na organização terrorista "Resistência Galega".

Desde 2014 que não são registados quaisquer atos terroristas. Nesse mesmo ano, o Supremo Tribunal de Espanha rotulava o movimento como um grupo terrorista. Antón García Matos, conhecido por "Toninho", e María Asunción Losada Camba, os líderes do Resistência Galega, foram detidos em 2019: estão ambos em prisão preventiva e a aguardar julgamento em Espanha.

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