Eleições

Resultados dão vitória a Morales mas UE e EUA pedem 2.ª volta na Bolívia

Resultados dão vitória a Morales mas UE e EUA pedem 2.ª volta na Bolívia

Os resultados oficiais divulgados na quinta-feira indicam que o Presidente boliviano, Evo Morales, deve conseguir a reeleição para o cargo à primeira volta das eleições, mas União Europeia, EUA, Brasil, Argentina e Colômbia pedem uma segunda volta.

Os resultados oficiais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral da Bolívia, citados pela AFP, indicam que, com 99,81% dos votos contados, Evo Morales conquistou 47,06% dos votos, contra 36,52% do seu principal adversário, o candidato centrista e ex-presidente boliviano Carlos Mesa.

O resultado garante, para já, a distância de 10 pontos percentuais necessários para que Evo Morales se possa declarar vencedor à primeira volta, o que fez em conferência de imprensa, na quinta-feira.

O sistema eleitoral boliviano concede a vitória ao candidato com pelo menos 50% mais um dos votos, ou acima de 40%, mas com 10 pontos de vantagem sobre o segundo. Caso não alcancem estas percentagens, os dois mais votados disputam uma segunda volta.

Mesa já advertiu que não reconhecerá um resultado que exclua uma segunda volta contra Morales e denunciou uma "gigantesca fraude" por parte da comissão eleitoral a favor do Presidente cessante, que se candidatava a um quarto mandato consecutivo.

Entretanto, a União Europeia apelou na quinta-feira a uma segunda volta das eleições presidenciais na Bolívia "para restabelecer a confiança" nos resultados eleitorais do escrutínio que decorreu no domingo, que continuam debaixo de críticas dos rivais de Morales, por se ter declarado vencedor sem serem conhecidos os resultados finais.

"A União Europeia partilha completamente da avaliação da Organização dos Estados Americanos (OEA) segundo a qual as autoridades bolivianas deveriam dar por concluído um processo de contagem dos votos em curso e a melhor opção será a realização de uma segunda volta para restabelecer a confiança e assegurar o respeito da escolha democrática do povo boliviano", escreveu Maja Kocijancic, porta-voz da comissária Federica Mogherini, num comunicado distribuído em La Paz.

Também os EUA, o Brasil, a Argentina e a Colômbia pediram na quinta-feira uma segunda volta das eleições se a OEA não confirmar o resultado da primeira volta.

Se a missão de observação da OEA "não estiver em condições de verificar os resultados da primeira volta", estes quatro países apelam, em comunicado, para que o Governo boliviano "restaure a credibilidade do seu sistema eleitoral convocando uma segunda volta".

Ao final da tarde de quinta-feira o Supremo Tribunal Eleitoral da Bolívia declarou que a votação terá de ser repetida em quatro locais na região da Amazónia boliviana devido a irregularidades, o que implica novo atraso na divulgação dos resultados finais.

A votação parcial vai decorrer em 3 de novembro.

Perante as acusações de fraude e dias de protestos, o chefe de Estado boliviano tem considerado que as denúncias da oposição constituem uma tentativa de "golpe de Estado" para lhe impedir a vitória na primeira volta.

Os protestos foram desencadeados na segunda-feira, com incêndios nas sedes do órgão eleitoral em diversas regiões e confrontos entre apoiantes e detratores do Presidente, e com a polícia.

Além do Presidente e vice-Presidente, os bolivianos também votaram para eleger 130 deputados, 36 senadores e nove governadores -- um por cada departamento do país --, que integrarão a Assembleia Legislativa para o período 2020-2025, atualmente controlado com uma maioria de dois terços pelo MAS de Evo Morales.

A decisão de Morales em apresentar-se a um quarto mandato apesar do "não" no referendo de fevereiro de 2016 foi muito criticada por diversos setores da sociedade boliviana e da oposição, que alertaram para uma deriva autocrática no caso de nova vitória.

No poder há 13 anos, Morales tornou-se no primeiro Presidente indígena e de esquerda do país andino, mas diversos casos de corrupção nos círculos próximos do poder e as denúncias de viragem autoritária também desgastaram a sua imagem, apesar de permanecer muito popular.

Os apoiantes do MAS, no poder, e os membros da oposição, com alguns a apelarem à "rebelião", prometeram descer à rua no caso de vitória do campo rival.

Os gigantescos incêndios que devastaram em agosto e setembro uma zona quase do tamanho da Suíça provocaram a indignação de povos indígenas, que acusam Evo Morales de ter sacrificado a Pachamama, Terra-mãe em língua quéchua, para alargar as terras agrícolas e aumentar a produção de carne destinada à China.

Os ambientalistas também questionam uma recente lei que autoriza o aumento de cinco para 20 hectares da desflorestação por queimadas.

Por sua vez, Morales fez uma campanha centrada nos sucessos da economia (crescimento elevado, forte redução da pobreza, nível recorde de reservas internacionais) e que tornou a Bolívia no país com a maior taxa de crescimento da região.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG