Guerra na Ucrânia

Resumo do dia: um mês depois, o inferno chama-se Mariupol

Resumo do dia: um mês depois, o inferno chama-se Mariupol

Trinta dias depois do início da invasão russa na Ucrânia, o fim da guerra ainda só existe nos apelos de Zelensky. As negociações de paz continuam sem dar frutos e os relatos que chegam das Nações Unidas aterrorizam. Enquanto isso, os números de mortos e deslocados continuam a escalar, com Putin a comparar a Rússia às vítimas da Alemanha nazi.

- As diplomacias russa e ucraniana reconheceram hoje que as negociações de paz estão a ser "muito difíceis" e que continua a não haver consensos nas questões mais relevantes.

- As autoridades ucranianas anunciaram esta sexta-feira que pelo menos 300 pessoas terão morrido no bombardeamento russo da semana passada ao teatro da cidade martirizada de Mariupol. Outras 600 terão sobrevivido. A comunicação com a cidade portuária sitiada é extremamente difícil devido aos constantes ataques. Leia aqui

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- A chefe do comité de Direitos Humanos da ONU na Ucrânia disse, esta sexta-feira, que há cada vez mais informações credíveis sobre a existência de valas comuns em Mariupol, incluindo uma com 200 corpos. De acordo com Matilda Bogner, citada pela agência Reuters, também há alegações de que as forças russas estão a matar civis dentro de carros durante evacuações e há casos de desaparecimentos forçados de autoridades ucranianas, algumas das quais terão sido feitas reféns.

- Cerca de 13 milhões de pessoas estão retidas em áreas afetadas pela guerra e sem meios para fugir devido, em parte, à destruição de estradas e ponte, estimou a representante do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) na Ucrânia, Karolina Lindholm, numa videoconferência realizada a partir de Lviv. Se e quando conseguir fugir dos locais onde se encontra, esta população vai aumentar o número de deslocados internos e de refugiados, adiantou.

- A Rússia vai concentrar-se em "libertar" a região ucraniana de Donbass (dominada por separatistas) e não exclui a possibilidade de invadir cidades ucranianas bloqueadas, de acordo com o ministério da Defesa russo, citado pela agência de notícias do país Interfax. Moscovo estará a considerar duas opções para aquilo que apelida de "operação especial" na Ucrânia - uma exclusivamente dentro das autoproclamadas repúblicas separatistas em Donbass (Donetsk e Lugansk) e outra em todo o território ucraniano.

- O Ministério da Defesa russo admitiu que 1351 soldados russos morreram desde o início daquilo a que chamam de "operação militar especial" na Ucrânia, informou a agência de notícias russa Interfax. No entanto, os analistas estimam que o número de baixas seja muito superior. Esta semana, as os serviços de informação dos EUA deram conta da morte de cerca de sete mil soldados russos. A confirmar-se, o balanço excede o número oficial de mortos entre militares russos nos dois anos da primeira guerra da Chechénia.

- O presidente russo comparou a decisão de vários países ocidentais de suspenderem a atuação de artistas e desprogramarem eventos culturais russos com as fogueiras realizadas pelos nazis. "Da última vez foram os nazis na Alemanha, há quase 90 anos, que fizeram uma campanha destas de destruição de uma cultura indesejada. Todos nos lembramos bem das imagens de livros queimados em praças públicas", disse Vladimir Putin, durante um encontro com jovens vencedores do Prémio presidencial de Literatura e Arte. Leia aqui

- Os Estados Unidos e a NATO estão a elaborar planos de contingência para a possibilidade de a Rússia decidir atacar o território da Aliança, disse esta sexta-feira o conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, Jake Sullivan. Os ataques russos foram-se aproximando das fronteiras da NATO desde o início da invasão da Ucrânia. A 13 de março, as forças invasoras atacaram uma importante base militar a cerca de 15 quilómetros da fronteira polaca, matando pelo menos 35 pessoas e ferindo outras 134.

- O presidente norte-americano, Joe Biden, viajou esta sexta-feira até à Polónia para visitar Rzeszów, perto da fronteira com a Ucrânia, onde tem encontro marcado com soldados norte-americanos estacionados na região e onde terá reuniões sobre a situação humanitária no país afetado pela guerra.

- Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra um bombardeamento a atingir civis num centro de apoio em Kharkiv, na Ucrânia. De acordo com o "The Guardian", o alvo atacado foi um local que estava a servir para "entregar ajuda humanitária a organizações de solidariedade e combatentes voluntários".

- Mortos e feridos: O Alto Comissariado dos Direitos Humanos da ONU elevou para 1081 o número de civis que morreram e para 1707 o número dos que ficaram feridos na Ucrânia desde a invasão da Rússia. A agência das Nações Unidas nota, no entanto, que o número real de vítimas é muito superior. A maioria das baixas "foi causada pelo uso de armas explosivas com uma ampla área de impacto", informou a agência das Nações Unidas.

- Refugiados: Mais de 3,7 milhões de pessoas fugiram da Ucrânia desde o início da invasão russa, de acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados. Entre os cidadãos que saíram do país e os que estão deslocados internamente (dentro da Ucrânia), o número ascende a 10 milhões. Cerca de 90% dos que fugiram da Ucrânia são mulheres e crianças.

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