Espanha

Retirada arma a caçador que matou cadela e a arrastou pela estrada na Galiza

Retirada arma a caçador que matou cadela e a arrastou pela estrada na Galiza

As autoridades espanholas retiraram a arma e suspenderam a licença de caça a um homem que matou uma cadela, na localidade de Chantada, na Galiza. O caçador incorrer numa pena de prisão de seis a 18 meses, que é considerada curta por ativistas e cidadãos como o escritor Arturo Pérez-Reverte.

O caso gerou grande comoção e indignação em Espanha, especialmente após a divulgação de um vídeo em que se vê um caçador a arrastar a cadela, coberta de sangue, pela berma de uma estrada na Galiza, na localidade de Chantada. O homem é suspeito de disparar sobre o animal, batizado de Alma, que viria a morrer, quarta-feira, num hospital veterinário, cinco dias após ter sido baleada, no sábado passado.

A licença de caça foi suspensa e a arma usada para atingir o animal foi retirada, enquanto decorre a investigação deste episódio de maus tratos animais, mas também porque o homem disparou sobre a cadela junto a uma estrada, o que é estritamente proibido à luz da legislação que regula o uso e porte de arma na Galiza.

Em Espanha, o delito de maus tratos animais é punível com uma pena que pode ir de três meses a um ano de prisão, e que se agrava para um mínimo de seis meses e máximo de 18 em caso de morte do animal, como sucedeu com Alma, atingida a tiro por um caçador e arrastada, moribunda, pela berma da estrada.

"Haverá voluntários para fazer o mesmo a ele?... Questiono-me. Apenas me questiono", publicou no no Twitter o premiado escritor espanhol Arturo Pérez-Reverte, autor de livros como "O cemitério dos barcos sem nome" ou "A rainha do Sul", entre outros.

"Dezoito meses (que não cumprirá) podem parecer muito a este miserável. Mas a culpa não é só dele. É também da lixeira que são as leis espanholas de bem-estar animal e dessa gentalha indiferente, os políticos, que nada fazem para endurecê-las", acrescentou Pérez-Reverte, noutro tweet, publicado terça-feira, dois dias após a primeira menção ao caso no Twitter.

A ideia de Pérez-Reverte encontra eco junto do partido animalista Pacma, que lidera uma campanha a favor do endurecimento das penas em caso de maus tratos animais. Sob o lema "O caçador de Chantada para a cadeia", organizaram um petição online, que às 16 horas desta quinta-feira tinha mais de 186 mil subscritores.

Na petição, o Pacma argumenta que os prevaricadores "dão rédea solta à brutalidade" porque sabem que "ficarão sem castigo", apelando à recolha de assinaturas para forçar as autoridade a mudar a legislação, que, em Espanha, não obriga a prisão efetiva as pessoas condenadas a penas inferiores a dois anos.

Polémica com a guarda dos filhotes de Alma

Quando foi assassinada, Alma tinha seis cachorros, que entretanto foram entregues a uma casa de acolhimento, em Vilalba, por onde passaram cerca de 200 cães e gatos, nos últimos nove anos.

"Criei muitas ninhadas a biberão", escreveu Tamara Cardoso, a mulher que acolheu as crias de Alma. "Estão cobertas todas as suas necessidades e estou perfeitamente formada como Auxiliar de veterinária para tomar conta deles", revelou, num texto colocado na rede social Facebook.

"Os cachorros estão bem de saúde e perfeitamente cuidados", escreveu Tamara Cardoso, num comunicado publicado, esta quinta-feira, naquela rede social, para esclarecer "as mentiras contadas" sobre as crias de Alma.

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