Salário mínimo

Ricos em Espanha: "Se chegas aos 50 anos com um salário baixo, não te esforçaste o suficiente"

Ricos em Espanha: "Se chegas aos 50 anos com um salário baixo, não te esforçaste o suficiente"

O Governo espanhol anunciou em janeiro que o salário mínimo do país vai aumentar este ano de 900 para 950 euros mensais. Nem toda a gente concorda com a decisão e, por isso, um programa de televisão decidiu ir para a rua entrevistar cidadãos de bairros mais humildes ou pobres e de bairros ricos. Uns consideram o valor "insuficiente". Outros dizem que é "um abuso".

O programa "El Intermedio", emitido pela televisão espanhola La Sexta, entrevistou várias pessoas de bairros diferentes, mas foi a resposta de uma jovem de um bairro rico que abriu a polémica: "Se chegas aos 50 anos com um salário baixo é porque não trabalhaste bem quando eras jovem e não te esforçaste o suficiente".

A intervenção da mulher provocou reações nas redes sociais, ao garantir que se pode viver "perfeitamente" com o salário mínimo porque os "preços em Espanha são muito baixos" e existem "restaurantes baratos com boa comida".

No Twitter, alguns utilizadores não ficaram indiferentes e criticaram a postura da jovem: "Se chegas aos 50 anos e tens um salário baixo, talvez não tenhas escolhido bem a família em que nasceste", comentou uma pessoa. "Dá para ver os calos nas mãos de tanto esforço", ironizou outra. "Esta tia é 100% compatível com o estereótipo de uma loira tonta desses bairros"; "Que fique ela com o meu emprego. Trabalhar 12 a 13 horas a cuidar dos filhos e da casa. Por 1000 euros. Não chega ao fim do mês. Mas agradeço porque tenho trabalho", escreveram nas respostas ao vídeo partilhado na rede social.

Todos os entrevistados de bairros mais humildes ou pobres disseram que viver com 950 euros é "insuficiente", enquanto algumas pessoas de bairros ricos afirmaram que o aumento do salário mínimo é "um abuso". Veja o vídeo completo:

As declarações dos cidadãos ricos causaram indignação, deixando claro que existe um setor da sociedade que não tem noção das dificuldades de quem vive com o salário mínimo.

Um jovem de um bairro mais humilde afirmou que considera o aumento do salário "insuficiente", embora "seja bom para começar". "Podiam ter aumentado um pouco mais, certo? Ficou um pouco aquém [das expectativas]", lamentou outra mulher.

Cidadãos de bairros mais pobres afirmam que o aumento ajuda a pagar "eletricidade, gás, aluguer, transporte e impostos", mas "ainda não é uma vida tranquila". Por outro lado, um homem de um bairro rico garantiu que para viver "tranquilo" precisa, no mínimo, do que ganha atualmente: "mais de 5000 euros".

O empresário considerou o aumento um "desastre" e disse que precisa de 5000 euros porque tem que pagar o golfe, esqui, paddle e 200 pares de sapatos. "É preciso não ter vergonha", comentou um utilizador no Twitter.

"Pergunta num bairro rico: 'O que acha do aumento do salário mínimo?'; 'Um desastre'; 'Quanto é que um trabalhador deve ganhar?'; '600 euros'; "Quanto é que você precisa para viver?'; "No mínimo 2500 euros'", partilhou outra pessoa na mesma rede social. "Não podia dar mais nojo".

"Uma 'jovem empresária' com dois restaurantes, de um bairro rico de Madrid, claro, acaba de dizer que as pessoas querem trabalhar pouco e ganhar muito, que aumentar o salário mínimo está errado. E se chegas aos 50 anos com um salário de merda, é porque não trabalhaste bem...", lamentou outra mulher.

Aumento vai afetar mais de dois milhões de espanhóis

O aumento do salário mínimo vai afetar mais de dois milhões de trabalhadores espanhóis, que vão receber um total de 14 pagamentos anuais, num total de 13.300 euros brutos por ano.

O novo valor significa um aumento de 5,5% relativamente ao ano passado, quando Pedro Sánchez subiu o salário para 900 euros, tendo aumentado em 22,3% em comparação com 2018, em que o salário mínimo espanhol se situava nos 600 euros.

Em Portugal, o salário mínimo foi fixado em 635 euros num decreto-lei publicado no final do ano passado, entrando em vigor já este ano. O salário médio português (12 meses) situa-se nos 943 euros mensais, sendo que com os subsídios e horas extras pode saltar para os 1133 euros, segundo dados do Pordata divulgados no ano passado.

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