Investigação

Risco de infeção é maior mas vacinas protegem contra formas graves da ómicron

Risco de infeção é maior mas vacinas protegem contra formas graves da ómicron

A nova variante da covid-19 é ainda uma incógnita, mas os primeiros estudos feitos à ómicron deixam perceber que as vacinas evitam a hospitalização e os casos graves, mesmo havendo um maior risco de reinfeção.

O efeito das mutações combinadas da variante ómicron no comportamento do vírus é uma grande incógnita para os cientistas. Entre os dados que já foi possível confirmar, sabe-se que a transmissibilidade é maior, tal como risco de reinfeção, mas as vacinas evitam a hospitalização e os casos graves. Como a maior parte das infeções tem acontecido entre os jovens, por norma com sistemas imunitários mais fortes, não é possível concluir se esta variante é mais ou menos perigosa.

Outra das conclusões dos estudos preliminares efetuados na África do Sul, país que detetou esta variante no início do mês de novembro, é que a ómicron pode ser detetada num teste PCR normal. "Podemos seguir o rasto da variante em tempo real, sem necessidade de fazer a sequenciação genética, que pode demorar semanas em laboratório", explicou Richard Lessels, da Rede Sul-africana de Vigilância do Genoma (NGS-Sa, na sigla original).

Os cientistas desconhecem, ainda, se o período de incubação é idêntico à das outras variantes, de 2 a 14 dias, com uma média comprovada de cinco dias. "A certeza que temos é que as vacinas são a ferramenta que pode impedir a doença grave e necessidade de hospitalização", argumentou Richard Lessels.

"Uma grande parte da povoação está a obter a imunidade com as vacinas ou a passar pela doença sem grandes problemas, pelo que é complexo dizer qual será a a evolução do vírus", disse Richard Lessels, especialista em doenças infecciosas. "A genética da ómicron é completamente diferente da delta ou das variantes anteriores", acrescentou.

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Apesar de a maioria dos infetados com a nova variante estar a passar pela doença com sintomas ligeiros, Lessels adverte que "ainda é cedo para dizer se a ómicron é mais perigosa", porque foi detetada há muito pouco tempo. "Não podemos dizer se teremos casos mais graves no futuro", disse.

O que parece ser já uma certeza é que a imunidade conferida pela doença não oferece proteção para a nova variante, por isso não livra quem esteve infetado há pouco tempo de voltar a ficar doente.

O Instituto Nacional de Doenças Infecciosas da África do Sul (NICD, na sigla em inglês) confirmou que, em novembro, das 249 amostras sequenciadas, 183 era da variante ómicron.

A variante ómicron foi detetada em mais de 20 países, Portugal incluído, mas é na África Austral, de onde é originária, que está mais ativa, nomeadamente em estados como o Botsuana ou a África do Sul, que concentram 62% do total de infeções com a nova variante.

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