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Rotulagem verde do gás pela CE é "má e pouco científica"

Rotulagem verde do gás pela CE é "má e pouco científica"

A Federação Europeia de Transportes e Ambiente (T&E) classificou esta quarta-feira como "má e pouco científica" a proposta da Comissão Europeia de rotulagem verde do uso de gás, afirmando que é preciso derrotar o projeto no Parlamento Europeu.

"Esta decisão má e pouco científica não nos deixa outra escolha senão lançar uma campanha à escala europeia para derrotar o projeto de lei no Parlamento Europeu", disse William Todts, diretor executivo da T&E, uma organização não-governamental que defende um sistema de mobilidade sem emissões de dióxido de carbono.

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Citado num comunicado, o responsável afirma que a rotulagem da Comissão do gás como verde é "totalmente errada", encoraja o investimento no gás fóssil, e aumenta a dependência europeia da Rússia. É, diz-se no mesmo comunicado, um presente a Vladimir Putin, Presidente russo.

"Numa altura em que milhões de europeus estão a lutar para pagar as suas contas de gás, a Comissão declara que o gás é o combustível verde do futuro. É um impulso a Putin e irá solidificar o estrangulamento da Rússia sobre o fornecimento de gás do bloco", diz-se no comunicado da federação.

A Comissão Europeia propôs hoje a rotulagem verde de certas atividades de gás e nucleares, para incentivar o investimento privado nestas áreas com vista à neutralidade climática, justificando-o com "pareces científicos e progresso tecnológico".

Em comunicado divulgado no final da reunião do colégio de comissários de hoje, o executivo comunitário anuncia a proposta de um ato delegado relativo à taxonomia da União Europeia (UE) sobre "mitigação e adaptação às alterações climáticas que abrange certas atividades de gás e nucleares".

"Tendo em conta os pareceres científicos e o progresso tecnológico atual, a Comissão considera que há um papel para o investimento privado em atividades de gás e nucleares na transição", argumenta a instituição, assegurando que os setores energéticos abrangidos "estão de acordo com os objetivos climáticos e ambientais da UE e permitirão acelerar a passagem de atividades mais poluentes, como a produção de carvão, para um futuro neutro do ponto de vista climático, na sua maioria baseado em fontes de energia renováveis".

A T&E diz no comunicado que a Comissão, ao colocar o gás na lista de investimentos verdes, está a ir contra o próprio grupo de peritos da Comissão, que advertiu que incluir o gás é inaceitável.

Uma lei no sentido de incluir o gás como investimento verde leva ao aumento de instalações de gás, que podem melhorar as emissões de gases com efeito de estufa a curto prazo mas que "não oferecem nenhum caminho para a descarbonização" e são incompatíveis com o Acordo Verde da UE e com o Acordo de Paris, diz a T&E, acrescentando que tal também é incompatível com o compromisso sobre o metano assinado na última cimeira sobre o clima, em Glasgow, no ano passado.

O aumento em larga escala de "culturas para gás" (para biogás) também irá aumentar a perda de biodiversidade e destruição de ecossistemas, diz a associação, acrescentando que com a Comissão Europeia vai também com esta lei prejudicar o investimento sustentável e a credibilidade e ambição da UE nestas matérias.

"A UE passou de um Acordo Verde para a lavagem verde de gás fóssil", acusam os responsáveis da T&E no comunicado.

No mês passado, numa carta aberta, um grupo de investidores climáticos com ativos no valor de 50 biliões de euros já tinha advertido que o gás fóssil devia ser excluído da lista de investimentos sustentáveis na Europa. Rotular o gás fóssil como investimento sustentável pode levar a que seja canalizado capital para atividades incompatíveis com a ambição climática europeia, disse.

A Comissão, acusa a T&E, ignorou cientistas, os seus próprios especialistas, e os investidores.

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