Irma

Rui e a família respiram de alívio numa Miami com água pelos joelhos

Rui e a família respiram de alívio numa Miami com água pelos joelhos

O furacão perdeu força ao passar pela Florida e mudou de rumo, poupando Miami a estragos maiores. Inundações, algumas gruas caídas e árvores arrancadas pela força do vento são a marca mais visível da passagem do Irma.

"Felizmente, o pior já passou", disse Rui Morgado, português natural de Braga a passar férias em Miami com a família. "Fomos dar uma volta aqui pelo bairro. Há bastantes árvores caídas, mas não parece haver danos materiais nas casas ou nos carros", disse, em contacto telefónico com o JN, cerca da 1.30 da madrugada de segunda-feira, 20.30 horas em Miami, após longas horas de ansiedade.

A noite já tomara conta do céu rasgado a água. Rui e a família serenaram a vontade de sair de portas, porque apesar da acalmia o tempo ainda não era certo. "Há aviso para rajadas de vento forte, por isso optamos por não sair mais. Amanhã já se prevê um dia calmo e vamos aproveitar para dar uma volta de carro a ver como ficaram as coisas nas redondezas", acrescentou.

"Acho que tivemos muita sorte com a mudança de direção do furacão, pelo menos nós aqui na costa Este da Florida", disse Rui Morgado, português de Braga a trabalhar em Londres e apanhado de férias em Miami pela ameaça do Irma. O primeiro furacão vivido na primeira pessoa, entre sete numa casa, cinco adultos e duas crianças, terminou em bem.

"A noite vai ser mais tranquila. Temos água, a luz falhou uma ou outra vez, no período mais crítico, por volta das 16 horas", 21 em Portugal continental. Cerca das 17 horas locais, o furacão tinha descido para categoria 2, numa escala de cinco, anunciou o centro americano de furacões (NHC), e dirigia-se para o norte da península a uma velocidade de 22 quilómetros/hora.

Baixa de Miami alagada

A depressão, que deverá manter-se como furacão até segunda-feira de manhã, estava a causar ventos de 175 km/h. A casa da família de Rui Morgado tem persianas metálicas anti-furacão e aguentou-se bem. "Sabíamos que tinha caído uma árvore e acertado na casa, mas tínhamos os 'shutters' fechados e só depois de passar a tempestade é que vimos o que tinha acontecido".

Uma árvore de grande porte caiu no terreno do vizinho, a um metro de causar estragos. Rui e a família passaram pelo furacão numa casa em Pembroke Pines, a cerca de 30 km da costa de Miami. A baixa ficou alagada, com água pelo dos joelhos, mas de momento não há muito mais a reportar.

Quando o vento abrandar, a maré descer e a água engrossar o mar é que vai ser possível avaliar a pegada do Irma, que será menos destruidora do que se temia, quando passou pelas Caraíbas a toda a força.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, não perdeu tempo nem esperou pela avaliação dos estragos, decretando o estado de catástrofe natural na Florida, que permite desbloquear verbas para apoiar a região.

Decretado estado de emergência

A declaração de catástrofe autoriza o reembolso federal completo, nos primeiros 30 dias, para todas as medidas de proteção de emergência nos condados, como os custos dos centros de operações de emergência, os refúgios e outros gastos relacionados.

Após o primeiro mês, o Governo federal reembolsará em 75% estes custos, tanto a nível local como estatal.

Trump também assinou a declaração de catástrofe para Porto Rico e ampliou a ajuda federal da declaração emitida na quinta-feira passada para as Ilhas Virgens americanas, severamente atingidas pelo fenómeno.

O Presidente norte-americano anunciou que irá "muito rapidamente" à Florida. Trump congratulou-se pela boa coordenação entre os diversos serviços de socorro federais e as autoridades locais.

O chefe de Estado norte-americano comentou que o país "pode ter tido alguma sorte", já que o furacão alterou a rota inicialmente prevista e dirigiu-se mais para a costa oeste da Florida, e não para leste, o que poderia ter sido mais destrutivo.

As autoridades da Florida ordenaram a retirada de 6,3 milhões de pessoas e, além do êxodo maciço de residentes que abandonaram o estado, milhares decidiram refugiar-se nas escolas, polidesportivos e outras instalações destinadas a abrigar as populações durante o furacão.

O furacão já causou três mortos no estado da Florida, depois de ter deixado um rasto de destruição e de ter provocado cerca de 30 mortes, na sua passagem pelo Caribe.

* com Agência Lusa

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