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Rusgas em casas de líder da Renamo são mais um episódio de tensão em Moçambique

Rusgas em casas de líder da Renamo são mais um episódio de tensão em Moçambique

As rusgas realizadas, este domingo, na sede de Maputo da Renamo, principal partido da oposição, e em casas do líder partidário são mais um episódio da tensão político-militar entre a Renamo, principal partido da oposição, e o Governo.

A Renamo (Resistência Nacional Moçambicana) ameaça governar à força nas seis províncias onde reivindica vitória nas eleições gerais de 2014, acusando o partido no poder, a Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), de ter protagonizado uma fraude eleitoral no último escrutínio.

Um dos momentos mais complicados desta escalada de Rustensão ocorreu a 09 de outubro de 2015, quando a polícia moçambicana invadiu a casa de Afonso Dhlakama, na cidade da Beira, centro de Moçambique, e prendeu guardas do partido de oposição.

Foi o terceiro incidente grave em três semanas envolvendo a Renamo, depois de, a 12 de setembro, a comitiva de Dhlakama ter sido emboscada também na província de Manica, e de a 02 de outubro ter havido uma troca de tiros no interior do distrito de Gondola.

A invasão da casa de Afonso Dhlakama na Beira aconteceu um dia depois de ter reaparecido na serra da Gorongosa, ao fim de quase duas semanas em lugar desconhecido, após ter desaparecido no dia 25 de setembro em Gondola, província de Manica, durante confrontos entre os homens armados da oposição e as forças de defesa e segurança.

O mês de outubro voltaria a ser marcado por tiroteios entre as forças moçambicanas e as forças militares da Renamo em Inhaminga, no centro de Moçambique.

Já no início do mês de novembro, o Governo moçambicano negou a existência de um plano para eliminar o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, e justificou as operações contra o maior partido de oposição com ameaças ao estado de direito e posse ilegal de armas.

Posteriormente, confrontações em Gorongosa, centro de Moçambique, provocaram uma nova vaga de deslocados, que pedem ao Governo e à Renamo para que "parem de brincar" com as suas vidas e apelam para o desarmamento da oposição.

O apelo estendeu-se à Igreja Católica moçambicana, que pediu ao Governo e à Renamo que abandonassem as armas e retomassem o processo de diálogo.

A 09 de novembro, a Renamo pediu ao Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, o regresso do diálogo com o Governo sobre a crise política no país, mas com mediação internacional.

A 07 de dezembro, a Assembleia da República (AR) de Moçambique chumbou o projeto de revisão pontual da Constituição da República, submetida pela Renamo, que pretendia transformar seis províncias do país em autarquias.

Dois dias depois, Afonso Dhlakama, que estava há quase dois meses em silêncio, disse que ia governar as seis províncias que reivindica no centro e norte do país, ameaçando que, se fosse preciso, invadiria também Maputo.

No final de dezembro, a Renamo propôs ao Governo envolvimento do Presidente da África do Sul, Jacob Zuma, na mediação da crise política e militar em Moçambique, tendo depois também proposta que esse papel fosse assumido pela Igreja Católica.

Entretanto, o número dos que se refugiavam no Malaui em fuga do conflito civil em Moçambique aumentou de forma significativa, com o Alto Comissariado das Nações Unidos para os Refugiados (ACNUR) a falar em milhares de pessoas a chegarem àquele país.

A 21 de janeiro, o secretário-geral da Renamo foi baleado por desconhecidos na cidade da Beira, tendo ficado em estado crítico. Manuel Bissopo foi atingido a tiro quando terminava uma conferência de imprensa.

Afonso Dhlakama responsabilizou então a Frelimo pelo incidente e acusou a força política de fomentar "terrorismo de Estado".

No início do mês, a Renamo denunciou o rapto do seu delegado distrital de Gondola, Manica, centro do país, por um grupo armado.

Por causa disso, antigos generais e oficiais militares da Renamo disseram que iam começar a instalar postos de controlo nas principais estradas do centro de Moçambique, para travar raptos e execuções de elementos seus, algo que a polícia disse imediatamente que iria impedir.

A 16 de fevereiro, as autoridades policiais moçambicanas acusaram sete militares da Renamo pela morte a tiro de um juiz comunitário da localidade de Chirassicua, no distrito de Nhamatanda, centro do país.

Dois dias depois, as forças de defesa e segurança moçambicanas começaram a fazer escoltas obrigatórias a viaturas em circulação num troço da N1, a principal estrada de Moçambique, para prevenir ataques de grupos armados.