56.º dia de guerra

Rússia acena com míssil e braço de ferro em Mariupol segue sem vencedores

Rússia acena com míssil e braço de ferro em Mariupol segue sem vencedores

Ao 56.º dia de guerra, a Rússia lançou um novo ultimato às forças ucranianas que protegem Mariupol para que se rendessem, abrindo mesmo um corredor humanitário para a retirada de civis da cidade sitiada. Simultaneamente, Moscovo testou um novo míssil balístico intercontinental e Putin disse que o lançamento bem-sucedido fará os inimigos da Rússia "pensar duas vezes". Os pontos-chave desta quarta-feira:

- No dia em que Moscovo e Kiev acordaram a abertura de um corredor humanitário na cidade sitiada de Mariupol, algumas dúzias de pessoas conseguiram escapar da "cidade-mártir", mas poucas. O autarca da cidade apelou à saída dos moradores e as autoridades ucranianas esperavam que 90 autocarros conseguissem entrar e retirar cerca de seis mil pessoas. Porém, segundo o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, ainda permanecem na cidade 120 mil ucranianos. Zelensky garantiu continuar pronto para trocar prisioneiros de guerra russos pela retirada segura para civis e tropas ucranianas em Mariupol.

- O prazo dado pela forças russas aos soldados ucranianos para se renderem na cidade portuária de Mariupol, cercada há semanas, terminou às 12 horas. Os militares no terreno têm resistido, apesar de a Rússia ter anunciado a rendição de cinco soldados. Há cerca de mil civis abrigados na siderúrgica Azovstal.

- A Rússia anunciou que realizou, com sucesso, o primeiro teste de um disparo do míssil balístico intercontinental Sarmat, uma arma de nova geração e muito longo alcance que servirá, segundo o presidente russo, de alerta aos inimigos do país. Segundo Putin, o míssil balístico intercontinental pesado de quinta geração Sarmat é capaz de "derrotar todos os sistemas antiaéreos modernos". Por seu lado, os EUA disseram que estavam cientes do teste e que não estavam preocupados.

- Também esta quarta-feira Putin disse que a Rússia vai alcançar os seus objetivos militares na região de Donbass, no leste da Ucrânia, e isso vai permitir que as pessoas regressem às suas vidas normais. O líder russo ordenou ainda uma revisão da posição de Moscovo dentro da Organização Mundial do Comércio (OMC) para combater sanções "ilegais" impostas pela sua operação militar na Ucrânia.

- O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, visitou Kiev, onde considerou que os crimes de guerra cometidos na Ucrânia serão perpetuados pela História. Segundo Zelensky, os líderes discutiram sanções contra a Rússia, a defesa e o apoio financeiro da Ucrânia e as respostas ao questionário sobre o cumprimento dos critérios da União Europeia. Charles Michel assegurou ainda que a UE fará "tudo o que for possível" para que a Ucrânia "ganhe a guerra contra a Rússia".

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- O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, avançou que vai reunir-se com Zelensky em Kiev e que vai transmitir-lhe o compromisso "inequívoco" de Espanha e da UE no apoio àquele país invadido pela Rússia.

- Já o secretário-geral da ONU, António Guterres, enviou uma carta a Putin e outra a Zelensky, a pedir para ser recebido em Moscovo e em Kiev, respetivamente, para discutir "passos urgentes" para travar a guerra.

-A Noruega anunciou o envio de mais de uma centena de mísseis antiaéreos para a Ucrânia, como parte da ajuda militar a Kiev que enfrenta a invasão das forças de Moscovo. Kiev pediu ainda ajuda militar à Bulgária.

- Dois funcionários do jardim zoológico Feldman Ecopark, em Kharkiv, na Ucrânia, foram encontrados mortos numa sala nas traseiras. Os homens estavam desaparecidos deste março.

- A Rússia voltou a alertar a Suécia e a Finlândia através de canais diplomáticos bilaterais sobre as consequências da adesão à NATO, disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova. "Emitimos todos os nossos avisos publicamente e através de canais bilaterais", disse Zakharova, à emissora Russia-24. "Eles [Suécia e Finlândia] sabem disso, não ficarão surpreendidos, foram informados sobre tudo."

- O Japão revogou formalmente o estatuto de "nação mais favorecida" da Rússia por causa da invasão da Ucrânia.

- Meio milhão de cidadãos ucranianos foram deportados da Ucrânia para a Federação Russa sem o acordo da sua parte, disse Mykyta Poturayev, chefe do comité humanitário do parlamento ucraniano. Poturayev afirmou ainda que "não há oportunidade" de contactar essas pessoas e pediu ajuda à Cruz Vermelha.

- Segundo o mais recente balanço da ONU, 5 010 971 pessoas que já fugiram da Ucrânia desde o início da invasão russa. Além disso, 7,1 milhões de pessoas estão deslocadas dentro da Ucrânia.

- Cerca de 50 mil trabalhadores russos perderam o emprego e 98 mil foram obrigados a gozar férias devido ao impacto das sanções internacionais e à saída das empresas estrangeiras.

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