Violência

Rússia acusa Ocidente de provocar crise na Macedónia

Rússia acusa Ocidente de provocar crise na Macedónia

A Rússia acusou o Ocidente de provocar a crise política interna na Macedónia, onde manifestantes nacionalistas assaltaram na quinta-feira o parlamento. O secretário-geral da NATO pediu "respeito pelo processo democrático" após os incidentes.

"Isto confirma a tese de que o principal motivo da atual crise política na Macedónia é a flagrante ingerência nos assuntos internos desse país", considerou em comunicado o ministério dos Negócios Estrangeiros russo.

A Rússia denuncia ainda a "grosseira manipulação da vontade popular com o objetivo de afastar do poder o governo legítimo" e alertou que o prosseguimento desta abordagem poderá provocar uma escalada da tensão e um "conflito interétnico".

Moscovo considera que nos distúrbios de quinta-feira em Skopje "a oposição tentou praticamente tomar o poder de forma violenta" e criticou a União Europeia (UE) e os Estados Unidos por "saudarem de imediato o novo chefe do parlamento", numa demonstração de que "o ocorrido foi planificado com antecedência" com o apoio de "patrocinadores externos".

Por sua vez, o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, exortou esta sexta-feira todas as forças políticas macedónias a "respeitarem o processo democrático" após os ataques contra os deputados.

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"Condeno fortemente os ataques de ontem contra membros do parlamento em Skopje. A violência não tem lugar em nenhum parlamento", disse Stoltenberg em comunicado.

O secretário-geral aliado pediu "calma, contenção e respeito pelo processo democrático" e considerou o diálogo político "o único caminho razoável e apropriado, que responde aos interesses dos cidadãos do país".

Coligação gera tensão

Na sequência das inconclusivas eleições legislativas de 11 de dezembro de 2016, a oficialmente designada Antiga República Jugoslava da Macedónia (FYROM), de dois milhões de habitantes, regista uma crise política de consequências imprevisíveis.

A oposição social-democrata (SDSM) de Zoran Zaev assinou um acordo com três dos quatro partidos albaneses que elegeram deputados e representam a importante minoria albanesa local (25% da população), garantindo maioria no parlamento de 120 lugares.

No entanto, o presidente macedónio, Gjorge Ivanov, proveniente das fileiras do conservador VMRO-DPMNE - que dirigiu o país de forma autoritária desde 2006 sob a liderança de Nikola Gruevski - recusou fornecer um mandato aos sociais-democratas e principais partidos da minoria albanesa.

Ivanov argumenta que uma aliança entre os sociais-democratas e os albaneses poria em perigo a integridade do Estado, mesmo a sobrevivência do pequeno país balcânico, e assinalou que esta coligação entre os sociais-democratas macedónios e os partidos albaneses locais foi estabelecida através da ingerência do primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama.

O clima de permanente tensão política, com protestos diários nas ruas de Skopke promovidos pelos conservadores eslavos, registou um súbito agravamento na quinta-feira, com a invasão do parlamento por apoiantes do VMRO-DPMNE, que agrediram deputados da oposição, incluindo Zoran Zaev.

Os manifestantes entraram no hemiciclo após ter sido divulgado que o SDSM e três partidos albaneses com representação parlamentar tinham eleito um novo presidente do parlamento, proveniente da minoria albanesa, após o final da sessão.

O atual executivo de gestão do primeiro-ministro Emil Dimitriev, dominado pelo VMRO-DPMNE, qualificou esta eleição de "golpe de Estado" porque a sessão parlamentar já tinha terminado e pelo facto de ainda não ter sido formado um novo governo desde as legislativas de dezembro.

Os conservadores já confirmaram a presença esta tarde numa reunião de emergência convocada pelo chefe de Estado. No entanto, os sociais-democratas referiram que o seu líder, Zoran Zaev, não vai comparecer.

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