Síria

Rússia bloqueia condenação da violência na Síria

Rússia bloqueia condenação da violência na Síria

A proposta de declaração do Conselho de Segurança da ONU condenando a violência na Síria, apresentada por quatro países europeus, incluindo Portugal, foi bloqueada sobretudo devido à oposição da Rússia.

"A actual situação na Síria não representa uma ameaça à paz e segurança internacional", afirmou Alexander Pankin, "número dois" da missão da Rússia na ONU, justificando a oposição do seu país, já depois de a proposta ser abandonada e o Conselho de Segurança passar a uma reunião aberta.

A proposta apresentada por Portugal, Alemanha, França e Reino Unido, os quatro países da UE no Conselho de Segurança, reflectia a posição da União Europeia, condenando os actos de violência, apelando à calma no país, alinhando-se com as declarações do secretário-geral das Nações Unidas sobre a Síria.

"É cada vez mais claro que algumas das manifestações na Síria e noutros países contam que uma deterioração da situação force a comunidade internacional a ajudá-los e a tomar partido. Essa abordagem leva a um ciclo de violência sem fim. É um convite à guerra civil", adiantou Alexander Pankine, destacando o papel "basilar" da Síria na região.

Bashar Ja'afari, embaixador da Síria na ONU, destacou o "falhanço" da "tentativa de interferência na situação doméstica" da Síria. "O facto de o Conselho não ter conseguido sequer chegar a acordo sobre uma declaração à imprensa mostra que esta propaganda não teve qualquer consenso", disse o diplomata sírio depois da reunião

Ja"afari acusou "alguns membros influentes do Conselho" de estarem a manobrar para interferir no país, sublinhando que o "processo de reformas não será ditado pelo exterior".

Perante o Conselho de Segurança, leu um artigo "Washington Post" que menciona que o Departamento de Estado norte-americano está a financiar grupos que têm como objectivo derrubar regime sírio.

O diplomata rejeitou ainda uma investigação das Nações Unidas sobre os confrontos, o que disse competir apenas às autoridades.

A representante norte-americana na ONU, Susan Rice, voltou a condenar a resposta do regime sírio, e disse que Washington está a considerar toda uma gama de opções de retaliação, "incluindo sanções direccionadas".

Apontando para mais de 350 mortos nos confrontos das últimas semanas, o subsecretário geral das Nações Unidas Lynn Pascoe qualificou a réplica de Damasco aos protestos como uma "mistura de reformas com um crescendo de repressão violenta".

A ONU recebeu ainda informação da detenção "em grande escala" de manifestantes, activistas de direitos humanos, advogados e jornalistas e há "alegações sérias" de espancamentos e tortura de detidos, adiantou.

O diplomata português, Moraes Cabral, apelou ao governo sírio para usar a "contenção possível e assegurar a protecção dos seus cidadãos".