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Rússia não descarta intervenção militar dos Estados Unidos

Rússia não descarta intervenção militar dos Estados Unidos

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Lavrov, afirmou que não descarta uma intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, numa conferência de imprensa conjunta com a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodriguez.

"Conhecendo as abordagens da administração dos EUA, tudo é possível. Não descarto que possa lançar ações que violem novamente todas as normas possíveis do direito internacional", referiu Sergey Lavrov, quando questionado se considerava possível uma intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela.

Segundo o chefe da diplomacia russa, o enviado especial dos EUA para a Venezuela, Elliot Abrams, não escondeu que entre as suas funções não está a procura de uma solução pacífica para a crise na Venezuela.

Elliot Abrams "ocupa-se exclusivamente em incitar a tensão, criando uma situação que provoque, como os EUA querem, uma eclosão, o derramamento de sangue na Venezuela, que justifique a intervenção militar", salientou Lavrov, que expressou a sua esperança de que Washington "imponha bom senso".

Lavrov indicou ainda que há informações de que "os EUA planeiam, em breve, comprar armas leves, morteiros, mísseis terra-ar portáteis e outro tipo de armas que serão enviadas para os países próximos da Venezuela".

De acordo com o chefe da diplomacia russa, o transporte do referido armamento seria realizado com a ajuda de "uma companhia aérea de um dos regimes mais obedientes, o regime absolutamente obediente a Washington no espaço pós-soviético", em alusão ao Governo da Ucrânia.

"Desde logo que vemos essas intenções, como muitos países, incluindo os vizinhos da Venezuela, veem isso. Brasil e Colômbia declararam que não vão apoiar uma intervenção militar", disse Lavrov acrescentando que "se os vizinhos da Venezuela mantiverem as suas palavras e permanecerem firmemente nessa posição, os planos dos EUA não se concretizaram".

Sergei Lavrov garantiu ainda que a Rússia prometeu continuar com a sua ajuda humanitária "legítima" à Venezuela.

"A Rússia continuará a ajudar as autoridades venezuelanas a resolver as dificuldades económicas e sociais, incluindo através da prestação de assistência humanitária legítima", assegurou.

Lavrov referiu que a Rússia enviou "um primeiro lote de 7,5 toneladas de medicamentos" para a Venezuela.

A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodriguez, anunciou, na mesma conferencia de imprensa, que o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ordenou a transferência do gabinete europeu da petrolífera estatal Pvdsa de Lisboa para Moscovo, para garantir a segurança dos ativos do país.

"A Europa não garante o respeito pelos nossos ativos", disse Delcy Rodriguez na conferência de imprensa em Moscovo.