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Rússia pode estar a "tentar encenar um pretexto" para atacar a Ucrânia

Rússia pode estar a "tentar encenar um pretexto" para atacar a Ucrânia

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, disse, esta quinta-feira, que a aliança está preocupada que a Rússia esteja "a tentar preparar um pretexto para um ataque armado contra a Ucrânia".

O comentário surge depois de separatistas pró-Rússia e tropas ucranianas se terem acusado mutuamente de terem tentado atacar o lado oposto no leste da Ucrânia. Separatistas ucranianos apoiados pela Rússia no leste da Ucrânia acusaram as forças do governo de Kiev de abrir fogo quatro vezes nas últimas 24 horas, violando os acordos que visam acabar com o conflito, de acordo com a agência noticiosa RIA. Por sua vez, a Ucrânia negou as acusações, alegando que as suas tropas foram atacadas, mas não retaliaram.

Em declarações ao "The Wall Street Journal", Stoltenberg disse que a NATO está "preocupada que a Rússia esteja a tentar encenar um pretexto para um ataque armado contra a Ucrânia. Ainda não há clareza, nenhuma certeza sobre as intenções da Rússia".

Também o presidente norte-americano, Joe Biden, alertou que a ameaça de uma invasão russa da Ucrânia é "muito alta" e disse acreditar que existe uma "operação de bandeira falsa" em andamento para Moscovo ter uma justificação para o ataque, de acordo com a agência Reuters.

A mesma opinião tem o primeiro-ministro britânico Boris Johnson. "Tememos muito que isto seja algo que veremos mais nos próximos dias", disse.

UE muito preocupada com combates e desinformação na região do Donbass

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O chefe da diplomacia europeia deu conta de uma intensificação dos combates na região do Donbass e de um aumento da desinformação russa, apontando que tal constitui motivo de "grande preocupação" entre os 27. Em declarações à chegada para a cimeira UEfrica, Josep Borrell, que participou esta manhã numa reunião de ministros da Defesa da NATO e, ao início da tarde, num encontro informal do Conselho Europeu para analisar a crise entre Rússia e Ucrânia, insistiu que "não há provas da retirada de tropas" russas, tal como anunciado por Moscovo, e afirmou mesmo que as provas que existem vão no sentido oposto e são preocupantes.

"Tivemos notícias de retirada de algumas tropas, mas não há provas disso. Estive na reunião de ministros da Defesa da NATO e certamente ninguém tem provas desta retirada de tropas. Do que temos provas, e preocupa-nos muito, é de um aumento dos combates e bombardeamentos nalgumas partes" da região do Donbass, prosseguiu Borrell.

O Alto Representante da União Europeia (UE) para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança notou que visitou em janeiro "algumas partes do setor, e na altura não havia qualquer atividade militar".

O chefe da diplomacia expressou também grande preocupação com o que diz ser um aumento da desinformação do lado russo, "a fim de criar uma atmosfera de alegados ataques contra o povo russo" na região, o que faz aumentar o receio de que a Rússia esteja a preparar a chamada "operação de bandeira falsa" como pretexto para uma agressão militar. "Junte-se a isto o voto da Duma [câmara baixa do parlamento russo] a pedir ao Presidente [russo, Vladimir] Putin que reconheça a independência destas duas repúblicas independentistas, e tudo junto aumenta as nossas inquietações. Estamos seguramente muito preocupados", reforçou.

Reiterando que a UE ainda acredita "no processo diplomático" e vai concentrar "todos os esforços na atividade diplomática", o Alto Representante adiantou que, "por outro lado", já está "preparado um pacote muito duro de sanções, sobre o qual o Conselho Europeu foi hoje informado". "Como Alto Representante, estou pronto a apresentar esse pacote ao Conselho [Estados-membros], a quem cabe aprovar sanções. E fá-lo-ei assim que for necessário. Se houver uma agressão [russa], convocarei imediatamente um Conselho de ministros dos Negócios Estrangeiros, e estou certo de que, mesmo sendo necessária unanimidade, o Conselho aprová-lo-á", disse, apontando que hoje mesmo se pôde verificar de novo a "total unidade" dos 27 Estados-membros do bloco comunitário em torno desta matéria.

Escusando-se a detalhar o teor do pacote de sanções preparado contra a Rússia em caso de agressão militar, Josep Borrell concluiu as suas declarações à imprensa 'recordando' que se segue "uma cimeira muito importante entre União Europeia e África", e "seria uma pena" que a mesma fosse relegada para segundo plano devido à crise no leste da Europa.

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