38.º dia de guerra

Rússia retira-se de algumas cidades, mas deixa armadilhas escondidas para quem fica

Rússia retira-se de algumas cidades, mas deixa armadilhas escondidas para quem fica

No 38.º dia da guerra, a Ucrânia anunciou ter recuperado cerca de 30 cidades nos arredores de Kiev, mas as minas deixadas pelos russos não permitem que a população regresse. Por onde passou a Rússia, há agora um rasto de destruição. A missão é retirar o máximo de pessoas possível das cidades tomadas pelas forças invasoras. Os pontos-chave deste sábado:

- As forças russas estão a fazer uma "retirada rápida" das áreas em redor da capital Kiev e da cidade de Chernihiv no norte da Ucrânia. A vice-ministra da Defesa da Ucrânia, Hanna Malyar, afirmou este sábado que as forças ucranianas recuperaram toda a região da capital. Também o vice-autarca de Chernihiv e o seu governador local disseram que ontem foi a primeira noite "calma" na cidade desde que a Rússia iniciou a sua ofensiva no país.

- Apesar da retirada, a Rússia deixou, pelo caminho, "um desastre completo", deixando minas em "todo o território", casas, equipamentos abandonados e "até mesmo nos corpos dos mortos", acusou o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. O governador local de Chernihiv disse também que as aldeias em redor da cidade "estão cheias delas".

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- O exército russo destruiu 67 alvos militares ucranianos na noite passada, no âmbito da denominada "operação militar especial", incluindo postos de controlo, depósitos de munições e áreas com equipamentos de guerra.

- No aeroporto de Hostomel, abandonado pelo russos, ficou um rasto de destruição. Um dos mais emblemáticos aviões do mundo, o Antonov An-225 Mriya, foi destruído nos combates entre as forças russas e ucranianas.

- Um funcionário ucraniano acusou as forças russas de abrirem fogo contra manifestantes pacíficos, ferindo quatro com "queimaduras graves", na cidade de Enerhodar. Entretanto, estão a ser travadas "batalhas pesadas" nas regiões do leste e sul da Ucrânia, nomeadamente na cidade sitiada de Mariupol.

- Mais de sete mil pessoas conseguiram fugir de Mariupol e Melitopol, em autocarros e viaturas particulares, na sexta-feira. Chegaram a Zaporíjia durante a noite. A Cruz Vermelha está a preparar uma nova tentativa para retirar civis da cidade sitiada.

- Os corpos de, pelo menos, 20 homens em roupas civis foram encontrados no chão de uma única rua, depois de as forças ucranianas terem retomado a cidade de Bucha, perto de Kiev, às tropas russas. Perto de 300 pessoas foram enterradas "em valas comuns" nesta cidade.

- Para este sábado, estavam planeados sete corredores humanitários para retirar pessoas das regiões sitiadas da Ucrânia, nomeadamente Mariupol e Berdyansk. Da região oriental de Lugansk, foram retirados 2700 civis.

- Em Chernobyl, voltou a ser hasteada a bandeira ucraniana, enquanto os trabalhadores cantavam o hino nacional. As tropas russas retiraram-se da cidade semanas depois de a terem tomado logo no início da invasão.

- As autoridades ucranianas elevaram para 35 o número de pessoas que morreram no ataque de terça-feira a um edifício do Governo regional em Mykolaiv, no Mar Negro, e que deixou outras 34 pessoas feridas.

- O Papa Francisco anunciou que "está em cima da mesa" uma viagem à Ucrânia, ao responder uma questão colocada pela imprensa durante o voo para Malta, onde vai realizar uma visita de dois dias.

- O diretor da agência espacial da Rússia disse que a restauração dos laços normais entre a Roscosmos e a Estação Espacial Internacional só serão retomados quando as sanções ocidentais contra Moscovo forem levantadas.

- Pelo menos 1325 civis, 120 deles crianças, morreram desde o início da invasão da Rússia à Ucrânia. Os civis feridos no conflito confirmados pela ONU ascendem a 2017, entre eles 168 crianças.

- O número de pedidos de proteção temporária de cidadãos ucranianos e estrangeiros a viverem na Ucrânia desde o inicio da invasão russa concedidos por Portugal subiu para 26 165.

- Um total de 4217 pessoas foram evacuadas hoje de cidades ucranianas na linha de frente da guerra com a Rússia.

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