Bloqueio

Rússia tenta reerguer cortina de ferro na Internet

Rússia tenta reerguer cortina de ferro na Internet

Há dois anos, a Rússia adotou uma legislação, conhecida como a lei "Internet soberana" para proteger o país de ficar sujeito ao controlo de infraestruturas estrangeiras. Agora, Moscovo avançou com um novo projeto ainda mais ambicioso, criando um engenho de "censura à Internet" que permite bloquear, filtrar ou abrandar websites.

A Internet, sendo um espaço que permite a partilha de informação a grande velocidade, é usada para divulgar dados, a toda a hora e para qualquer parte do Mundo. Características que fizeram a web inimiga de vários regimes ou governos autoritários. Na Rússia, a Internet tem sido amplamente usada pelos ativistas e opositores de Vladimir Putin para divulgar manifestações e denunciar a repressão das autoridades.

O presidente russo vê a Internet como uma ameaça ao poder e tem tentado fazer com que a rede do país, até aqui aberta e de livre acesso, se torne numa ameaça. A nova tecnologia afeta cerca de 120 milhões de utilizadores de Internet na Rússia, de acordo com investigadores e ativistas.

A revolução da Primavera Árabe, que começou na Tunísia, demonstrou o poder das redes sociais há 11 anos. Os manifestantes usaram o Facebook para divulgar os protestos e para convocar a sociedade civil para a participação na revolução. Também Putin terá percebido o papel das redes sociais.

Sites bloqueados

Numa espécie de nova cortina de ferro - política seguida pela União Soviética durante a chamada Guerra Fria que impunha, entre outras questões, uma censura rígida -, o regulador russo da Internet exigiu às empresas que fornecem serviços no país detalhes técnicos, como números de tráfego, especificações de equipamento e velocidades de ligação, escreve o diário norte-americano "The New York Times". Recolhida a informação, as autoridades russas fizeram chegar as caixas negras com o equipamento de censura que as empresas não puderam recusar.

Em março deste ano, talvez por erro, foi possível perceber como funciona o sistema. Sem explicação, durante as manifestações a favor do opositor de Putin, Alexei Navalny, a rede social Twitter - à qual Moscovo já havia pedido o bloqueio de três mil publicações "ilegais" - tornou-se extremamente lenta.

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No dia 10 desse mês, dezenas de sites foram bloqueados, incluindo vários ligados a Navalny. Até hoje continuam fechados.

A censura digital não é a única tentativa de o Governo russo controlar a informação. Também os canais televisivos, as rádios e os jornais enfrentam restrições apertadas. Na área cultural, quem mais tem sentido os tentáculos do controlo são os comediantes que arriscam a satirizar o presidente Putin ou o seu Governo (ler caixa ao lado).

Comediantes expulsos da televisão russa

A Internet parece não ser o único problema da presidência de Vladimir Putin. Vários têm sido os comediantes expulsos da televisão por fazerem piadas sobre o presidente ou a governação. Os artistas levaram os programas de paródia para o YouTube, mas isso não impediu que as autoridades russas encontrassem forma de os "castigar". Foi o caso da atriz Larisa Krivonosova, que foi condenada a dez dias de prisão por satirizar a porta-voz do Ministério do Interior russo. Mais sério é o caso de Aleksandr Dolgopolov, comediante russo que fugiu do país, no ano passado, por recear pela segurança ao descobrir que a Polícia estava a investigar imagens das suas atuações.

Apoio a Lukashenko - O presidente russo Vladimir Putin prometeu, ontem, apoiar o homólogo bielorrusso Alexander Lukashenko contra a "interferência" estrangeira, uma vez que os dois assinaram uma série de acordos sobre uma integração mais estreita.

União e resistência - Numa reunião com o Lukashenko, Putin saudou os laços bilaterais entre a Rússia e a Bielorrússia e prometeu o apoio continuado de Moscovo ao cada vez mais isolado Lukashenko. "Resistiremos juntos a quaisquer tentativas de interferir nos assuntos internos dos nossos Estados soberanos", afirmou o líder russo.

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