O Jogo ao Vivo

Terrorismo

Saiba quais são os países que os EUA consideram como "terroristas"

Saiba quais são os países que os EUA consideram como "terroristas"

Cuba, Irão, Sudão e Síria são as quatro nações que os EUA consideram, no relatório divulgado esta semana, "Patrocinadores do Terrorismo Internacional". Saiba porquê.

O relatório criou polémica, depois de Cuba voltar a ser mencionada como "país patrocinador do terrorismo". Havana rejeitou a inclusão na lista e considera a acusação como "injusta e arbitrária". Além de Cuba, também o Irão, a Síria e o Sudão foram considerados, este ano, como nações "patrocinadoras" do terrorismo mundial, pelos Estados Unidos.

Quase todos os países foram, primeiramente, incluídos na lista na década de 80, à excepção do Sudão, que só passou a ser considerado um "apoiante do terrorismo" em 1993. Cuba está presente na lista desde 1982 e em 1984 entrou o Irão. A Síria está presente desde 1979, ano em que a lista foi elaborada pela primeira vez e contemplava países como a Líbia, o Iraque e o Iémen do Sul.

Contudo, a razão para um país fazer parte ou não do relatório dos "Estados que apoiam" o terrorismo mundial, conhecido como "State Sponsors of Terrorism", não é arbitrária e os Estados Unidos apresentam uma lista de razões e um relatório final com considerações finais sobre terrorismo.

Porque é que um país é considerado um "patrocinador" do terrorismo?

Cuba faz parte da lista dos Estados Unidos desde o dia 1 de março de 1982. Os Estados Unidos sustentam que a "nação de Fidel Castro" apoia membros da ETA, acolhendo duas dezenas de membros do grupo terrorista do País Basco no seu território. Cuba é ainda acusada de permitir que guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) se refugiem na ilha e que a usem como meio de transição para outros países. Os Estados Unidos sustentam, ainda, que Cuba oferece exílio a fugitivos procurados em solo americano.

Os norte-americanos acrescentam, ainda, que o Grupo de Ação Financeira Internacional (The Finantial Action Task Force - FATF), identificou Cuba como tendo uma estratégica anti-lavagem de dinheiro e de combate ao financiamento do terrorismo. Desse modo, os Estados Unidos declaram que Cuba está comprometida em adoptar e implementar as recomendações da FATF.

PUB

O Irão faz parte da lista norte-americana desde 19 de janeiro de 1984 e, ainda hoje, causa preocupação, aos norte-americanos. O país árabe conhecido pelo seu potencial nuclear é um caso alarmante a nível internacional. O relatório norte-americano sustenta que "apesar dos recorrentes avisos do Conselho de Segurança das Nações Unidas para o Irão suspender a proliferação das suas atividades nucleares, o Irão continua a violar as suas obrigações internacionais no que respeita ao seu programa nuclear".

O país liderado por Barack Obama informa que o Irão aumentou a sua atividade terrorista "com ataques, ou tentativas de ataques, na Índia, Tailândia, Geórgia e Quénia", em 2012. Providencia, ainda, "apoio financeiro, material e logístico para grupos terroristas ou militantes no Médio-Oriente e na Ásia Central.

Além de outros ataques, os Estados Unidos acusam o Irão de ter feito explodir, um veículo da mulher de um diplomata israelita, a 13 de fevereiro, em Nova Deli, Índia. O ataque feriu a mulher com gravidade juntamente com três indianos. A 14 de fevereiro outra bomba foi encontrada debaixo de um veículo pertencente à embaixada Israelita na Géorgia, mas foi desativado em segurança.

Os Estados Unidos enumeram, ainda, que o Irão providenciou apoio à Síria, através de armas, fundos e treino militar de modo a apoiar o regime de Assad durante a sua fase repressiva que levou à morte mais de 70 mil civis. "Ofereceu ainda ajuda militar e financiamento ao grupo terrorista Hamas e a outros grupos palestianos, incluindo a Jihad Islâmica da Palestina e a Frente Popular para a Libertação da Palestina", acrescentam.

O Sudão faz parte dos "Patrocinadores do Terrorismo Mundial" desde 12 de agosto de 1993. Contudo, os Estados Unidos justificam que as autoridades sudanesas têm discutido regularmente questões de contraterrorismo com os norte-americanos e se mostraram sensíveis "às preocupações da comunidade internacional sobre os esforços de contraterrorismo". O Sudão continuou a ser um parceiro de cooperação no combate ao terrorismo em certas temáticas, nomeadamente no que respeita à organização terrorista Al-Qaeda.

Contudo, "as alas mais conservadoras das autoridades sudanesas vêm com desconfiança a relação com os Estados Unidos e questionam os benefícios da cooperação", explicam.

A decisão do governo sudanês em permitir um referendo que conduziu à independência da República do Sul do Sudão em julho de 2011, resultaram na decisão norte-americana de não retirar o Estado da lista de Estados patrocinadores do terrorismo. No entanto, os norte-americanos reconhecem que houve pouca indicação de que o Sudão vá reduzir a sua cooperação contra o terrorismo, apesar das tensões na relação bilateral global.

Apesar do Governo do Sudão ter tentado limitar as atividades terroristas de vários grupos, várias são as organizações terroristas que permanecem no Sudão. Existem ainda evidências que comprovam que extremistas sudaneses participaram em atividades terroristas na Somália e em Mali. Contudo, à exceção do Hamas, o Governo sudanês não apoia a presença de grupos extremistas violentos.

Designada desde 29 de dezembro de 1979, como um Estado patrocinador do terrorismo mundial, "a Síria continuou o seu apoio político a uma grande variedade de grupos terroristas", sustentam. A Síria forneceu, também, "apoio político e armas para o Hezbollah libanês e continuou a permitir que o Irão voltasse a armar a organização terrorista". Demonstrações de apoio a grupos terroristas, em particular o Hezbollah, estavam frequentemente presentes nos discursos do governo sírio e em declarações à imprensa. O presidente Asad é ainda acusado de expressar apoio público a grupos terroristas Palestinianos como elementos da resistência contra Israel.

O governo dos Estados Unidos acrescenta, ainda, que o presidente Bashar al-Asad, da Síria, continua a ser um acérrimo defensor das políticas do Irão. O Estado é ainda acusado de se considerar como uma "vítima de terrorismo", considerando todos os seus oponentes armados como "terroristas". Os Estados Unidos mostram, também, preocupação pelo papel da Síria no financiamento do terrorismo.

Consequências de pertencer à lista

Depois de um país ser designado como "Estado Patrocinador do Terrorismo" estão previstas, segundo o relatório dos Estados Unidos, algumas sanções, nomeadamente a proibição de exportação e importação de armas, proibição de assistência financeira e económica e a imposição de diversas restrições financeiras, entre outras.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG