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Salões de beleza e cabeleireiros boicotam revistas cor de rosa no Reino Unido

Salões de beleza e cabeleireiros boicotam revistas cor de rosa no Reino Unido

A morte de Caroline Flack, ex-apresentadora de "Love Island", a 15 de fevereiro veio espoletar um movimento nos salões de beleza e cabeleireiros de todo o Reino Unido. De Edimburgo a Londres, vários estabelecimentos retiraram as revistas cor de rosa dos seus espaços. O objetivo é eliminar as publicações "tóxicas" e negativas e promover a saúde mental.

Aos 40 anos, Caroline Flack pôs termo à própria vida em fevereiro. A apresentadora de televisão britânica estava a enfrentar um processo judicial por ter agredido o namorado Lewis Burton, em dezembro do ano passado, e deveria começar a ser julgada em março deste ano. Chegou a ser detida e a história tornou-se "sumarenta" para os tabloides. Conscientes da influência negativa deste tipo de publicações, vários cabeleireiros e salões de beleza decidiram banir estes conteúdos.

A exposição mediática estaria a afetar a ex-apresentadora do reality show "Love Island". Caroline Flack escreveu um texto, que não chegou a publicar na sua conta de Instagram (terá sido aconselhada a não o fazer), onde exprimia aquilo que tinha sentido nos últimos meses. "Sinto que o meu mundo e futuro foram varridos de debaixo dos meus pés", confessou.

A possibilidade de as revistas cor de rosa britânicas terem uma quota parte de responsabilidade no abismo de Caroline Flack foi suficiente para que vários espaços no Reino Unido tenham aderido ao movimento de banir os tabloides e substituir estes conteúdos por outros mais positivos. Londres, Edimburgo, Chorley e Colchester foram alguns dos locais onde a iniciativa já chegou.

Alguns proprietários deixaram de comprar tabloides, mas admitem a possibilidade de os clientes os trazerem e os lerem no espaço. Outros salões de beleza dão possibilidade de ler livros (fazem trocas) e revistas sobre moda, viagens e mobiliário. Tudo o que seja negativo, com menosprezo pelos visados nas notícias ou que faça os leitores sentir-se mal consigo próprios, é excluído.

O jornal "The Sun" retirou um artigo sobre Caroline Flack, onde gozava com a apresentadora de televisão através de um cartão do Dia dos Namorados e onde aparecia uma referência à suposta agressão de Flack ao namorado. A "Independent Press Standards Organisation", que regula a indústria dos jornais e revistas no Reino Unido, admitiu ter recebido inúmeras queixas após a morte da apresentadora.

Na cidade de Plymouth, no sudoeste da Inglaterra, o "David & David Boutique Hair Salon" foi um dos últimos cabeleireiros no Reino Unido a aderir a esta iniciativa. "Há tanta negatividade lá fora. As pessoas rebaixam outras pessoas. Consideramos que devíamos tomar uma posição e fazer alguma coisa", disse o proprietário Jonathan Fulton, citado pela cadeia de televisão "ITV".

Tabloides britânicos debaixo de fogo

Desde cedo que os então duques de Sussex se revoltaram contra a pressão mediática a que estavam sujeitos, sendo os ataques mais dirigidos a Meghan Markle. O anúncio de afastamento dos dois da família real britânica e a sua ida para o Canadá não terão sido encarados como surpreendentes para algumas franjas da sociedade do Reino Unido.

Vários órgãos de comunicação social no país avançam que o racismo em alguns conteúdos referentes à ex-atriz norte-americana foi uma das pedras basilares na decisão do casal. Harry chegou a fazer um comunicado onde realçava os "tons raciais" em artigos escritos sobre a sua esposa. O casal já terá processado vários jornais britânicos, entre eles o "Daily Mail", que revelou uma carta privada de Meghan Markle enviada ao pai.

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