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Sudão

Samah só queria mudar de escola mas acabou morta a tiro pelo pai

Samah só queria mudar de escola mas acabou morta a tiro pelo pai

Uma jovem sudanesa de 13 anos terá morrido depois de ser baleada três vezes pelo pai.

Segundo relatos dos vizinhos, Samah el-Hadi, estudante do oitavo ano, morreu depois de ter sido atropelada e baleada - um caso que as autoridades de Omdurman, maior e mais populosa cidade do Sudão, registaram como sendo uma "morte em circunstâncias misteriosas", nota o "The Guardian".

Na base do desfecho fatal, cujas circunstâncias continuam sob investigação, terá estado uma discórdia em relação ao futuro escolar, dizem os vizinhos. "Todos os seus colegas de turma tinham-se mudado de uma escola pública para uma escola particular. Por isso, a Samah perguntou ao pai se podia fazer o mesmo. O pai respondeu com duas alternativas: ou a escola pública ou casa", relatou um vizinho, citado pela imprensa internacional. Perante as alternativas, Samah escolheu ficar em casa e, em consequência, ficou proibida de sair. Uma semana depois, quando o pai da jovem se apercebeu de que a filha estava a quebrar a regra (ia enviar livros a amigos), terá atropelado Samah e, de seguida, disparado três tiros que acabaram por lhe provocar a morte.

Segundo o jornal britânico, o homem foi "brevemente interrogado pelas autoridades" e libertado depois de lhes dizer que a filha tinha cometido suicídio. Até ao momento, nenhuma autópsia foi realizada.

Caso gerou revolta

O caso incendiou as redes sociais, onde choveram testemunhos de mulheres vítimas de violência doméstica e os relatos de vizinhos. Há mesmo quem tenha escrito que o pai da jovem "era conhecido por ser violento e abusivo com as filhas, por tê-las privado dos seus direitos e de as espancar desde pequenas". E, perante a morte, milhares de pessoas assinaram uma petição para que o governo sudanês tomasse medidas.

O caso de Samah não é singular. De acordo com o Arab Barometer, um barómetro que fornece informações sobre atitudes e valores sociais, políticos e económicos dos cidadãos no mundo árabe, registaram-se casos de violência doméstica em 22% das famílias no Sudão, com 57% dos casos relatados a terem como alvo mulheres.

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Ahmed Sibair, advogado e ativista pela defesa dos Direitos Humanos, sublinha o aumento dos crimes contra mulheres e meninas desde o início da pandemia. "Se um pai for condenado por matar os filhos, será punido com alguns anos de prisão, entre três e cinco, e será libertado depois", explicou acerca do sistema jurídico do Sudão. António Guterres também atesta o "crescimento horrível da violência doméstica" nos últimos meses. "Para muitas mulheres e meninas", diz o secretário-geral da ONU, "a ameaça é maior nos lugares onde se deviam sentir mais seguras, nas suas próprias casas".

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