Tensão

Sanções dos EUA contra Vladimir Putin "ultrapassa os limites"

Sanções dos EUA contra Vladimir Putin "ultrapassa os limites"

A adoção de sanções pelos Estados Unidos contra o Presidente russo, Vladimir Putin, em caso de agressão russa à Ucrânia "ultrapassaria os limites", alertou esta quinta-feira o Kremlin, após a apresentação de um projeto nesse sentido.

"As sanções contra um chefe de Estado são uma medida que ultrapassaria os limites, seria equivalente a uma rutura das relações", declarou o porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov.

O porta-voz russo disse que a proposta dos senadores democratas norte-americanos "não facilita o estabelecimento de uma atmosfera construtiva para as conversações" entre a Rússia e o Ocidente que estão em curso esta semana sobre a tensão com a Ucrânia.

Os senadores democratas norte-americanos divulgaram na quarta-feira um novo plano de sanções para punir Vladimir Putin e fornecer assistência financeira a Kiev no caso de uma invasão da Ucrânia pela Rússia ou de um aumento das hostilidades.

O projeto intitulado "Defender a soberania da Ucrânia" prevê sanções contra o Presidente russo, o primeiro-ministro, Mikhail Michoustine, altos funcionários militares e várias entidades do setor bancário russo.

A proposta já conta com o apoio de 25 senadores democratas, incluindo o líder da bancada, Chuck Schumer, bem como da Casa Branca.

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O anúncio desse plano de sanções "extremamente negativo", segundo o Kremlin, ocorreu na véspera de uma reunião do Conselho Permanente da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), em Viena, mais uma de uma série de reuniões esta semana sobre o risco de conflito na Ucrânia.

Na segunda-feira, reuniram-se em Genebra a vice-secretária de Estado norte-americana, Wendy Sherman e o vice-ministros dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Riabkov. Na quarta-feira, a NATO e Moscovo mantiveram conversações em Bruxelas e após o final da reunião as partes constataram as suas profundas "diferenças" sobre a segurança na Europa.

"Nós gostaríamos, no entanto, que o bom senso prevalecesse", acrescentou Peskov, enfatizando que a Rússia "nunca deixou de ter" e "não deixará de ter vontade política para continuar o diálogo".

Acusada pelos norte-americanos e europeus de planear um ataque à vizinha Ucrânia, aliado do Ocidente, a Rússia respondeu que o envio de dezenas de milhares de tropas russas para a fronteira foi uma reação à presença crescente e hostil da NATO, numa zona que Moscovo considera ser a da sua área de influência.

A Rússia garantiu que não "pretende" atacar a Ucrânia, mas está a exigir a assinatura de um tratado que proíba qualquer expansão futura da NATO na zona, um pedido considerado inaceitável pelo Ocidente.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE) discutem esta quinta-feira a ​​​​​​​tensão na fronteira leste, numa reunião informal em França onde também refletirão, com os ministros da Defesa, sobre o reforço da autonomia estratégica do bloco neste domínio.

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