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Sanções tornaram a Rússia "mais isolada do que a Coreia do Norte"

Sanções tornaram a Rússia "mais isolada do que a Coreia do Norte"

A Rússia está em "perigo iminente" de entrar em bancarrota e não esperava que o Ocidente tivesse "coragem" de aplicar sanções tão severas. Quem o diz é Henrique Tomé, analista de mercados financeiros, num momento em que as agências de rating descem a classificação da Rússia e em que muitas multinacionais conhecidas suspendem a atividade no país. Ainda assim, é preciso "jogo de cintura", apela o especialista.

"O sistema financeiro na Rússia está extremamente fraco com todas estas sanções", afirma Henrique Tomé, ao JN, acrescentando que, atualmente, "o país está mais isolado do que a Coreia do Norte". E haverá risco de falência do Estado? "Enquanto as sanções prevalecerem, existe esse perigo iminente", refere. A acontecer, será a primeira bancarrota desde o ano seguinte à revolução russa de 1917.

"Iminente" foi também a palavra utilizada, na terça-feira, pela agência de notação de risco (rating) Fitch para se referir à proximidade do incumprimento do Estado russo no que toca à dívida pública de longo prazo. A Fitch baixou a classificação deste indicador de 'B' para 'C', em linha com o que também já fizeram agências como a Standard & Poor's ou a Moody's.

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As sanções aplicadas pelo Ocidente devido à guerra na Ucrânia colocaram "muitas empresas russas em risco", refere Henrique Tomé. Esse fenómeno está a ser "transversal" no país, fustigando tanto firmas de grande dimensão como as mais pequenas. Os bancos russos que tinham agências no Ocidente estão a ser particularmente afetados, afirma.

Multinacionais perdem dinheiro para fazerem "pressão"

Muitas multinacionais, como a McDonald's, a Coca-Cola, a Pepsi ou a Starbucks, têm anunciado a suspensão da atividade na Rússia. Essa solução "custa dinheiro às empresas, mas acaba por criar alguma pressão", explica Tomé. "Funciona como chamada de atenção e mostra a Putin que a guerra não é viável".

O analista da XTB acredita que a Rússia "não estava à espera que a invasão levasse tanto tempo e que o Ocidente tivesse a coragem de aplicar medidas tão severas". Ainda assim, alerta que as consequências das sanções "não se vão limitar à economia russa", lembrando questões como a subida do preço das matérias-primas, o aumento dos gastos em Defesa de países como a Alemanha ou, ainda, "o aumento de gastos para apoiar a própria Ucrânia".

"A Rússia depende dos países ocidentais, mas estes também dependem da Rússia", resume Henrique Tomé. Nesse sentido, aponta um caminho de compromisso: "Tem de haver algum jogo de cintura por parte dos dois lados. Isolar completamente a Rússia não é possível, até porque poderia potenciar mais guerras", defende.

A guerra atual, para já, é travada em contrarrelógio pelo Governo de Vladimir Putin, acredita o analista: Por muitas das reservas da Rússia serem em euros, dólares e libras, o país "não tem capacidade para financiar a guerra", argumenta.

O rublo tem estado em queda livre e o banco central russo instruiu há dias as instituições financeiras do país a deixarem de publicar os seus balanços financeiros devido às sanções ocidentais impostas após a invasão da Ucrânia, que ameaçam dizimar o setor bancário e as poupanças da população.

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