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BioNTech

São filhos de imigrantes na Alemanha e criaram promissora vacina contra a covid

São filhos de imigrantes na Alemanha e criaram promissora vacina contra a covid

Ele, Ugur Sahin, 55 anos, é o presidente da empresa alemã BioNTech, que deu esperança ao Mundo com a sua promissora vacina contra a covid-19. Ela, Özlem Türeci, 53 anos, é diretora médica e chefe de desenvolvimento clínico da firma biotecnológica. Ambos são filhos de imigrantes turcos na Alemanha e juntos fundaram aquela empresa. Esta é a história do casal que criou o projeto da vacina BNT162, que após o anúncio de que poderá ser 90% eficaz se tornou uma grande promessa de progresso científico.

A potencial vacina que está a ser desenvolvida com a Pfizer ainda tem um longo caminho a percorrer antes de ver a luz do dia e há muitas questões científicas não resolvidas. Na segunda-feira, foi anunciado que os recentes ensaios clínicos em grande escala mostraram que a vacina contra a covid-19 tem 90% de eficácia. Com o esperado sucesso da descoberta, que várias empresas internacionais perseguem, os holofotes viraram-se para o casal de médicos de origem turca que são co-fundadores da BioNTech, tornando-se um símbolo do valor da diversidade na sociedade.

De acordo com o jornal "El País", cerca de 1300 funcionários de 50 países fazem parte da empresa que Sahin e Türeci fundaram em 2008. Na sede de Mainz, na Alemanha, centenas de cientistas trabalham num prédio de cinco andares. Lá desenvolvem imunoterapias individualizadas para pacientes com cancro e, há dez meses, dedicam boa parte dos seus recursos à vacina para a covid-19.

Começaram o projeto da vacina em 27 de janeiro, muito antes de o coronavírus se espalhar por todo o Mundo, paralisando países inteiros. "Sentimos o dever de explorar toda a nossa tecnologia e experiência em imunoterapias para ajudar a aliviar o surgimento da pandemia de covid-19", disse Sahin, num comunicado em meados de março. Nesse mesmo mês, a empresa anunciou a colaboração com a multinacional farmacêutica Pfizer para "co-desenvolver uma potencial vacina contra a covid-19", cujos resultados preliminares da fase III foram esta semana revelados.

Ugur Sahin nasceu em İskenderun, antiga Alexandreta, na Turquia, e chegou a Colónia, na Alemanha, aos quatro anos, com a mãe. Na cidade alemã eles encontraram-se com o pai, que trabalhava na fábrica da Ford. Sahin estudou medicina na Universidade de Colónia e especializou-se em oncologia e imunologia com um doutorado. Desde 2014, é professor da Universidade de Mainz, onde dá aulas de oncologia experimental.

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Özlem Türeci, também filha de imigrantes turcos, nasceu e foi criada na Alemanha, no estado da Baixa Saxónia. O pai, cirurgião, emigrou da Turquia e trabalhava num pequeno hospital no oeste da Alemanha. Türeci também é professora da Universidade Johannes Gutenberg de Mainz e goza de grande prestígio no país, onde preside o grupo de investigadores de imunoterapias individualizadas.

Sahin e Türeci conheceram-se na Universidade do Sarre, em Homburg, onde ela fazia estágio na reta final da sua carreira médica e ele trabalhava na unidade de cancro. Casaram-se em 2002 e têm uma filha. Em 2009, Türeci explicou à imprensa alemã que no dia do casamento eles trabalharam no laboratório durante a manhã, foram casar e depois continuaram a trabalhar. "Somos uma boa equipa", disse Sahin, numa entrevista.

Antes da BioNTech, o casal de especialistas em cancro tinha outra empresa de biotecnologia, a Ganymed Pharmaceuticals, que trabalhava nas respostas imunológicas contra o cancro de esófago e que foi vendida para a japonesa Astellas Pharma por pelo menos 420 milhões de euros, dois anos antes de fundar a atual empresa. A imprensa alemã classifica a fortuna de Sahin entre as maiores do país.

Agora, a aliança com a Pfizer vai permitir a fabricação em massa da vacina, bem como a distribuição global. O consórcio com grandes empresas não é novidade para os investigadores alemães, que colaboram ou já colaboraram com a Sanofi, Bayer, Fosun ou Roche, entre outras. "É a nossa tecnologia. Trabalhar com a Pfizer é uma cooperação ideal que nos permite desenvolver uma potencial vacina e tê-la disponível no menor tempo possível", afirmou Sahin ao semanário alemão "Der Spiegel" há algumas semanas.

"A cooperação é fundamental neste desafio global. Não se discute se a vacina deveria estar disponível apenas para a China, Alemanha ou Estados Unidos", disse Sahin ao "Frankfurter Allgemeine Zeitung", garantindo que não teriam aceitado a colaboração com a Pfizer se, por exemplo, tivessem condicionado a distribuição exclusivamente para os Estados Unidos. .

A BioNTech é considerada uma empresa muito promissora que, no entanto, ainda não possui produtos no mercado. O Mundo e a comunidade científica estão agora a aguardar as informações técnicas detalhadas para apoiar o anúncio inovador desta semana. Por enquanto, o projeto de vacina BNT162 revelou ao Mundo um casal brilhante de cientistas de origem turca, uma comunidade frequentemente estigmatizada na Alemanha.

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