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Se Trump não for destituído, "arriscam nova invasão do Capitólio"

Se Trump não for destituído, "arriscam nova invasão do Capitólio"

O alerta foi claro: "Pedimos humildemente que condenem o presidente Trump, porque se não o fizerem, se fingirmos que isto não aconteceu, quem pode dizer que não vai acontecer de novo?". As palavras são do democrata Joe Neguse, durante o processo judicial de destituição de Donald Trump, que começou na terça-feira, no Senado dos Estados Unidos.

Os democratas terminaram na quinta-feira os seus argumentos defendendo que Donald Trump incitou o ataque ao Congresso dos Estados Unidos, no dia 6 de janeiro, e alertando que "ele pode fazer isso novamente" se não for condenado.

A oposição apresentou relatos da polícia, funcionários, oficiais de inteligência e media estrangeira para prosseguir com o caso, usando também as próprias palavras dos invasores do Capitólio para vincular Trump à violência e argumentando que a rebelião havia causado danos a longo prazo, escreve a BBC.

O procurador da Câmara, Joe Neguse, argumentou que Trump "não era apenas um homem" a fazer um discurso polémico, mas sim um presidente a dirigir-se a apoiantes que estavam "prontos para a violência e ele acendeu um fósforo".

Os democratas também argumentaram que a conduta de Trump causou "danos de longo prazo" à segurança interna e à posição internacional do país.

Para conseguir a condenação de Trump, os democratas teriam de convencer pelo menos 17 senadores republicanos, para atingir os 2/3 de votos, um objetivo que parece dificilmente atingível.

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Recorrendo a vídeos de congressistas democratas a pedir a destituição de Donald Trump, desde o início da sua presidência, a defesa do ex-presidente argumentou na terça-feira no Senado que o objetivo real do julgamento é impedir a sua recandidatura futura.

Depois de a acusação ter recorrido ao vídeo para sustentar perante os 100 senadores que o assalto ao Capitólio a 6 de janeiro resultou de incitamento à violência pelo ex-presidente, David Schoen, advogado de defesa de Trump argumentou, no primeiro dia de trabalhos, que o fim político do processo - travar a recandidatura de Trump - levou a várias inconstitucionalidades, em primeiro lugar o facto de "um cidadão" ser julgado no Senado, num processo reservado pela Constituição a presidentes em funções.

Um vídeo arrepiante, apresentado por procuradores durante o julgamento, mostrou a entrada violenta de uma multidão no Capitólio, a partir vidros e portas e gritando ameaças ao vice-presidente e à presidente da Câmara dos Representantes.

"Eles fizeram isto porque Donald Trump os enviou com esta missão", afirmou o procurador Stacey Plaskett, um democrata eleito para a Câmara dos Representantes pelas Ilhas Virgens.

A apresentação das imagens abriu o primeiro dia de argumentos no julgamento, com os procuradores a defenderem que Trump não era um qualquer "espectador inocente", mas sim o "incitador-chefe" do ataque ao Congresso, alguém que passou meses a espalhar mentiras sobre as eleições e a construir uma multidão de apoiantes da sua intenção de impedir a vitória de Biden.

Na quinta-feira, a acusação tentou estabelecer um nexo de causalidade entre os inéditos acontecimentos e o "incitamento" dos manifestantes por Trump.

A acusação recorreu também a vídeos de apoiantes de Trump no exterior do Capitólio a 6 de janeiro: um dizia ter sido "convidado" ao protesto, outro ter sido "mandado" pelo ex-presidente e outro ainda que este ficaria "contente" por os invasores "lutarem por ele".

"Porque o impeachment, condenação e desqualificação [do cargo] não são apenas sobre o passado. É sobre o futuro", disse o congressista Ted Lieu no julgamento, após argumentar que Trump não demonstrou remorso pelas suas ações. "É garantir que nenhum futuro oficial, nenhum futuro presidente faça exatamente a mesma coisa".

A gerente do processo de destituição, Diana DeGette, argumentou que as ameaças de grupos extremistas domésticos "foram e são agravadas pela recusa do presidente Trump em assumir responsabilidades e a recusa em denunciar à força o que o seu próprio FBI identificou como alguns dos elementos mais perigosos do nosso país".

O congressista Joaquin Castro disse que os aliados internacionais ficaram chocados com o ataque enquanto os adversários troçavam dos EUA. "O Mundo está a assistir e a perguntar se somos quem dizemos que somos".

No final, o advogado de Trump, David Schoen, considerou "insultuosa" a apresentação democrata, defendendo que não ficou estabelecida uma ligação ao ex-presidente e que o único efeito das imagens é "dividir o povo americano".

Esta sexta-feira, será a vez da Defesa de Trump esgrimir argumentos e, caso não sejam chamadas testemunhas a depor - como parece de momento provável - a votação poderá ter lugar já este fim de semana. Os advogados Bruce Castor e David Schoen terão até 16 horas nos próximos dois dias para apresentar a defesa.

Na votação inicial sobre a constitucionalidade do julgamento, na terça-feira, os senadores republicanos cerraram fileiras, tendo apenas seis (de 50) votado ao lado dos democratas, com 56 votos e 44 contra o arranque do julgamento.

Vários senadores republicanos disseram que votarão em Trump, pois não acreditam que a constituição permita a destituição de um ex-presidente.

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