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Sem oxigénio e com motores a ferver, a única via é para baixo

Sem oxigénio e com motores a ferver, a única via é para baixo

Para a aviação, os grandes problemas das nuvens vulcânicas são a falta de oxigénio e as altas temperaturas. O único procedimento de emergência previsto é "verificar, verificar, verificar. A nuvem vulcânica é composta de fuligem e resíduos de carbono, não tem oxigénio; logo, os motores de combustão do avião não conseguem funcionar", explicou ao JN o comandante Paulo Soares.

Normalmente, a temperatura a 35 mil pés de altitude é de 60 graus negativos, mas, quando se atravessa uma nuvem vulcânica, carregada de ar quente, ela sobe vertiginosamente e é excessiva para os motores. "Pressupondo que ainda há um pouco de oxigênio - o que não é verdade - para manter a temperatura e para não haver fusão, há que diminuir a potência. Mas, tem-se que reduzir tanto que não dá para aguentar o avião lá em cima", elucida o piloto. Há, ainda, os perigos da fuligem e das partículas para as quais as máquinas não estão preparadas. E o pior é que os instrumentos de bordo não conseguem detectar as nuvens vulcânicas. "Temos que nos fiar na meteorologia e nos olhos", diz Paulo Soares.

Segundo o comandante, não se pode treinar uma entrada numa nuvem vulcânica e todos os manuais de emergência prevêm um único procedimento: verificar, verificar, verificar. "Não há nada a fazer a não ser esperar até sair da nuvem", garante. Porém, assegura que os pilotos, apesar de não estarem preparados para esta emergência, sabem lidar com as suas consequências, como a falha de motores ou a falta de oxigénio no avião.

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