Decisão

Senadora Jeanine Áñez declara-se presidente interina da Bolívia

Senadora Jeanine Áñez declara-se presidente interina da Bolívia

A senadora Jeanine Áñez assumiu, esta terça-feira à noite, a presidência interina da Bolívia depois da renúncia de Evo Morales, numa sessão parlamentar que decorreu sem a presença de representares do Movimento para o Socialismo.

"Assumo de imediato a presidência e comprometo-me a assumir todas as medidas necessárias para pacificar o país", declarou a senadora do principal partido da oposição, Unidade Democrática, e também vice-presidente do Senado, onde estava prevista uma sessão para discutir a sucessão de Evo Morales, que acabou por não ocorrer por falta de deputados, avança a imprensa do país.

Apesar de não ter havido quórum, Jeanine Áñez reivindicou o direito de assumir interinamente a chefia do Estado até à realização de novas eleições, dadas as demissões do vice-presidente da República e dos presidentes e vice-presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados.

A falta de deputados deu-se sobretudo por causa da ausência de legisladores do MAS (Movimento para o Socialismo), partido de Evo Morales, mas alguns congressistas podem ter tido dificuldades em comparecer, já que parte das vias do país está bloqueada, incluindo a estrada que liga o aeroporto a La Paz.

Morales fala em "golpe de Estado"

Evo Morales, que renunciou ao cargo de presidente da Bolívia, ao fim de quase 14 anos no poder, considerou que a proclamação de Jeanine Añez como presidente interina do país é um "golpe de Estado", acusando-a de violar a Constituição Política do Estado (CPE).

"O golpe mais astuto e hediondo da história aconteceu. Uma senadora de direita proclama-se presidente do senado e depois presidente interina da Bolívia sem quórum legislativo, rodeada por um grupo de cúmplices e liderada pelas Forças Armadas e polícia, que reprimem o povo", escreveu Morales no Twitter, a partir do México, que lhe concedeu asilo político.

"Denuncio perante a comunidade internacional que o ato de autoproclamação de uma senadora como presidente viola o CPE da Bolívia e as normas internas da Assembleia Legislativa. Consuma-se o golpe sobre o sangue de irmãos mortos pela polícia e pelas forças militares usadas para o golpe", acrescentou.

Evo Morales renunciou ao cargo no domingo, depois de os chefes das Forças Armadas e da Polícia da Bolívia terem exigido que abandonasse o cargo para que a estabilidade e a paz pudessem regressar ao país. No dia seguinte, a Assembleia Legislativa da Bolívia recebeu a carta de renúncia de Evo Morales, em que o presidente disse esperar que o gesto evitasse mais violência e permitisse "paz social".

A Bolívia sofre uma grave crise sociopolítica desde a proclamação de Morales como presidente para um quarto mandato consecutivo nas eleições de 20 de outubro, com a oposição e os movimentos da sociedade civil a alegarem que houve fraude eleitoral.